Sampaoli leva Atlético-MG à CNRD por R$10 mi e escancara crise interna

ATLÉTICO-MG — A recente cobrança de Jorge Sampaoli na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) adiciona tensão aos bastidores alvinegros, ao exigir o pagamento de aproximadamente R$ 10 milhões não quitados da rescisão contratual.

  • Em resumo: Sampaoli acionou a CNRD da CBF para receber 14 parcelas restantes de um acordo de R$ 10 milhões.
  • Somente uma prestação do pacote acertado entre técnico e clube foi paga desde a saída do argentino.

Como a dívida de R$ 10 milhões foi parar na CNRD

O contrato de duas temporadas assinado em 2025 terminou precocemente após pouco mais de cinco meses, mas previa uma multa rescisória a ser diluída em 15 pagamentos mensais de cerca de R$ 666,6 mil. O Atlético-MG quitou apenas a primeira fatia e, diante de atrasos reiterados, os advogados do treinador recorreram ao órgão especializado em litígios do futebol.

A CNRD, criada em 2016, funciona como um tribunal arbitral vinculado à Confederação Brasileira de Futebol; seu regulamento, disponível no site oficial da CBF, estabelece prazos mais curtos que a Justiça comum para solução de conflitos financeiros entre clubes e profissionais.

Na prática, o processo acelera a execução da dívida caso a decisão seja favorável ao reclamante, podendo inclusive gerar punições esportivas — como bloqueio de inscrições — se o montante não for quitado após o veredicto.

Pressão financeira e desgaste político em Belo Horizonte

Melhores apps para assistir futebol ao vivo

Os R$ 10 milhões representam um abalo extra no fluxo de caixa alvinegro, já testado por investimentos em elenco e pela recente inauguração da Arena MRV. Internamente, conselheiros temem que o impasse amplie a percepção de inadimplência do clube entre treinadores e empresários, o que poderia encarecer futuras negociações de comissão técnica ou reforços.

Além da questão econômica, a disputa reforça o ruído político que ronda a gestão do Galo. O acordo original, divulgado como “solução amigável” em sua assinatura, agora ganha contornos de litígio público, expondo falhas de governança e comunicação entre as partes.

Análise: risco de efeito cascata nas finanças do clube

A entrada de Sampaoli na CNRD sinaliza ao mercado que o Atlético-MG pode demorar a honrar compromissos — percepção perigosa num ambiente em que multas rescisórias, comissões de empresários e direitos de imagem circulam em cifras milionárias. Caso a decisão saia desfavorável ao clube e o débito persista, sanções como bloqueio de receitas de transmissões e restrições de registro de atletas passam a ser ameaças reais.

Em paralelo, o episódio inflama a oposição política no Conselho Deliberativo, que já questionava a alavancagem financeira para erguer estádio e reforçar elenco. A conta jurídica de R$ 10 milhões, somada a juros e possíveis penalidades, pode tornar-se argumento de peso em futuras eleições internas.

O que você acha? A cobrança de Sampaoli é justa ou o Atlético-MG ainda tem margem para negociação? Para acompanhar mais casos do Brasileirão, acesse nossa cobertura completa.


Carlos Silva começou escrevendo sobre futebol em fóruns e páginas online, acompanhando principalmente jogos do dia e notícias rápidas. Com o tempo, ganhou experiência cobrindo partidas e organizando informações de forma clara para quem quer saber rapidamente o que está acontecendo. Hoje, na Tribuna Futebol, produz conteúdos sobre horários de jogos, transmissões e atualizações do futebol, sempre com uma linguagem simples e direta.