Atlético-MG — A vitória por 2 a 0 sobre o Cienciano, em 21/05/2026, não só manteve o Galo soberano na Copa Sul-Americana como também consolidou Renan Lodi como peça-chave do sistema de Eduardo Domínguez.
- Em resumo: Lodi ganhou liberdade total e virou arma ofensiva determinante.
- A sintonia com Bernard se tornou o atalho mais perigoso do lado esquerdo alvinegro.
Lodi deixa a lateral e invade o terço final
Nos minutos decisivos na Arena MRV, Renan Lodi partiu da defesa, puxou a marcação e abriu avenidas para os atacantes — movimento treinado à exaustão no CT. A estratégia, segundo Domínguez, é flexível: varia conforme o rival e a leitura de jogo. O comandante usa o deslocamento do camisa 6 para atrair o bloco adversário e, só então, acelerar pelo lado oposto, artifício que ampliou a média de finalizações do Galo na competição. Como determina o regulamento oficial da Sul-Americana, qualquer variação que traga volume ofensivo sem comprometer a recomposição defensiva vale ouro em mata-mata continental.
Até aqui, Lodi soma quatro gols e duas assistências em 28 partidas — números que superam a temporada europeia anterior e alimentam rumores de convocação futura. No vestiário, o lateral colhe elogios não só pela entrega, mas pela leitura tática refinada.
“Atacamos muitas vezes, além do nosso esquema ou do que buscamos, para atrair o rival e poder atacar. Vai depender muito do rival. Nós fomos, em vários momentos, pela esquerda, mas o desequilíbrio foi pela direita, chegando pela esquerda. E quando chegamos por lá pudemos conectar e finalizar bem pela direita”.
A fala de Eduardo Domínguez revela o cerne do novo Atlético: um time que disfarça sua força pela esquerda para punir pela direita — e vice-versa. Lodi é o isco que faz a engrenagem girar.
Dupla com Bernard eleva o teto criativo
O entrosamento entre Lodi e Bernard saltou aos olhos diante do Cienciano. Enquanto um ataca a linha de fundo, o outro infiltra por dentro, trocando de posição sem perder referências. O resultado são triangulações rápidas que quebram defesas estacionadas, arma vital contra equipes que se fecham na Arena MRV e, principalmente, longe de casa.
“Sabemos que Lodi é um grande jogador, entende muito a função. Quando foi vendido à Europa, foi vendido por essa situação em particular, como atacava espaço pelo lado esquerdo. E agora está combinando muito bem com Bernard. Então um joga por dentro, outro por fora, estão se entendendo bem e isso me deixa muito contente”.
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Ao destacar o encaixe dos dois, Domínguez indica caminho sem volta: a tendência é que a dupla seja mantida, mesmo que isso obrigue o treinador a reposicionar um atacante tradicional para abrir espaço na faixa central.
Análise: a vantagem estratégica do “lateral híbrido”
A utilização de Renan Lodi como ala-meia oferece ao Atlético-MG dois cenários favoráveis. Primeiro, cria superioridade numérica no meio, essencial contra rivais de bloco baixo. Segundo, bagunça a marcação individual, porque poucos laterais no país acompanham a profundidade que o camisa 6 alcança em velocidade.
O risco, naturalmente, é o espaço deixado nas costas. Por isso, Domínguez alterna entre linha de quatro e um zagueiro que fecha o corredor quando Lodi avança. O ajuste fino será testado já no fim de semana, contra o Corinthians, na Neo Química Arena, jogo que também serve para mensurar até onde vai o fôlego dessa engrenagem em ritmo de Brasileirão.
O que você acha? Renan Lodi deve seguir como “lateral-ala” ou voltar ao papel tradicional? Para acompanhar mais análises do Campeonato Brasileiro, visite nossa editoria especial.

