Vasco da Gama — Pressionado por uma crise institucional, o presidente Pedrinho recebeu o respaldo público de 106 conselheiros, que assinaram uma carta defendendo a venda de 90% da SAF para o empresário Marcos Lamacchia e classificaram o momento como decisivo para o futuro cruz-maltino.
- Em resumo: 106 conselheiros se alinham a Pedrinho e pedem avanço imediato na venda da SAF.
- Negociação com Marcos Lamacchia é vista como saída para estabilizar finanças e gestão do clube.
Carta coloca parte do Conselho ao lado de Pedrinho
O documento, divulgado na última segunda-feira, reúne pouco mais de um terço dos 300 integrantes do Conselho Deliberativo. Para esse grupo, a operação com Lamacchia representa a melhor chance de reerguer o clube e deve prevalecer sobre disputas internas que se arrastam há meses. De acordo com o estatuto e os trâmites reconhecidos pela Confederação Brasileira de Futebol, o aval do Conselho é condição essencial para concluir qualquer mudança societária.
Ao apresentarem o manifesto, os signatários sustentam que a conjuntura exige ação rápida. Eles descrevem o cenário como um dos “mais decisivos” da história centenária do Vasco, ecoando a apreensão de parte da torcida com a sequência de liminares, assembleias e recursos que impedem definições estratégicas.
“O momento exige coragem para decidir, responsabilidade para conduzir e união para colocar o Club de Regatas Vasco da Gama acima de qualquer interesse individual.”
A frase de abertura da carta resume o tom de urgência adotado pelos apoiadores de Pedrinho. Ao defenderem “coragem” e “responsabilidade”, os conselheiros sinalizam que a venda da SAF deixou de ser apenas questão administrativa para se transformar em divisor de águas político.
Presidente alega articulação para barrar negócio
Apoiado pelo novo grupo, Pedrinho distribuiu recentemente uma carta aberta à torcida após ser afastado da gestão da SAF por decisão judicial. No texto, ele afirma que manobras de bastidores travaram o acordo com Lamacchia, já “próximo do desfecho”. O dirigente classifica a intervenção como “maldade” que ameaça comprometer a saúde financeira do clube.
Segundo Pedrinho, a operação garantiria recursos para quitar dívidas, investir em estrutura e devolver protagonismo esportivo ao Vasco. Ele também reforça que o investidor está disposto a assumir 90% das ações, injetando capital em troca da gestão do futebol profissional e da responsabilidade por passivos herdados.
Análise: impasse político mina planejamento esportivo
A adesão de 106 conselheiros reforça Pedrinho, mas expõe a fragmentação de um Conselho de 300 membros. O número ainda não assegura maioria qualificada para autorizar a venda — e, sem consenso, o clube segue paralisado entre liminares e assembleias. No curto prazo, a indefinição impacta contratações, calendário de pagamentos e a relação com patrocinadores.
Enquanto os bastidores fervem, rivais diretos avançam em planejamento esportivo e financeiro, ampliando a diferença competitiva dentro e fora de campo. Sem uma solução, o Vasco arrisca prolongar um ciclo de emergência que já se reflete na confiança da torcida e na percepção de mercado.
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