Fluminense — A tentativa de repatriar o zagueiro Nino vive um momento crítico, com o Zenit dificultando o acordo por causa da forma e do prazo de pagamento exigidos pelos russos.
- Em resumo: proposta tricolor foi rejeitada e o Zenit quer valores mais altos em menos parcelas.
- Palmeiras chegou a sondar o defensor, mas recuou após contratar Alexander Barboza.
Negociação começou antes da posse presidencial
A direção eleita do Fluminense, comandada por Mattheus Montenegro, iniciou contactos com o Zenit ainda no período de transição, no fim do ano passado. O primeiro avanço concreto ocorreu em novembro de 2025, quando os russos ouviram a oferta inicial do Tricolor, mas barraram qualquer saída enquanto brigavam pelo título da liga nacional.
Com o encerramento da temporada e o troféu assegurado em São Petersburgo, os dirigentes do clube europeu voltaram à mesa. Só então apresentaram uma contraproposta, exigindo um fluxo financeiro mais rápido do que o planejado pela diretoria carioca, conforme relatou o ge e confirmado por outras apurações.
Forma de pagamento é o ponto-chave
Pelo regulamento de transferências da FIFA, prazos e garantias bancárias costumam ser determinantes na concretização de acordos internacionais. A exigência russa por garantias mais robustas pressiona o departamento financeiro das Laranjeiras num momento em que o clube ainda quita dívidas de contratações passadas.
Concorrência e desejo do jogador
Nino, de 29 anos, deixou claro seu interesse em voltar ao Brasil, mas não descarta permanecer na Europa se não houver entendimento. Além do Fluminense, o Palmeiras manteve conversas com o Zenit, porém esfriou o assunto ao fechar com Barboza. Esse recuo reforçou a convicção do Tricolor de que o caminho está livre, embora o impasse financeiro coloque o negócio em risco real de colapso.
Pessoas próximas ao zagueiro relatam que, mesmo disposto a negociar salários menores para atuar novamente no Maracanã, ele não pretende forçar a barra com o clube russo. Caso a transferência não avance, existe a possibilidade de buscar outra liga europeia onde a questão geopolítica pese menos.
Análise: limite de risco financeiro
A diretoria tricolor enxerga em Nino uma peça-chave para reforçar um setor que carece de liderança, ainda mais depois da saída de nomes experientes. No entanto, o histórico recente de superendividamento de equipes brasileiras acende o alerta: aceitar prazos curtos de pagamento em moeda forte pode comprometer o orçamento destinado a renovações e contratações futuras.
Equilibrar a pressão esportiva pela volta de um ídolo — capitão no título da Libertadores de 2023 — com a necessidade de responsabilidade fiscal será o maior desafio de Montenegro. Uma sinalização errada pode gerar desgaste político interno e limitar margem de manobra já na próxima janela.
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