Corinthians — Em entrevista concedida logo após a vitória por 4 × 1 sobre o Mixto, válida pela 12ª rodada do Brasileirão Feminino, a técnica Emily Lima lamentou a queda brusca de rendimento de suas atletas no segundo tempo e afirmou que saiu de campo com “sentimento de derrota”.
- Em resumo: Emily reprovou a postura do time na etapa final, mesmo com a goleada garantida.
- Para a treinadora, a partida escancara como o Corinthians não pode relaxar diante de rivais cada vez mais competitivos.
Irritação apesar dos 4 × 1
O placar elástico devolveu a liderança às Brabas, mas não impediu que Emily criticasse publicamente a própria equipe. Segundo a comandada alvinegra, o grupo administrou a vantagem de forma perigosa, permitindo que o Mixto crescesse em campo. A treinadora recordou que, no atual contexto do futebol feminino, qualquer espaço pode ser fatal — argumento reforçado pelo crescimento técnico observado na competição organizada pela CBF nos últimos anos.
Para Emily, a oscilação mostra que a campanha de nove vitórias, um empate e duas derrotas ainda está longe do nível de excelência que o elenco demonstra nos treinos.
“Sentimento de derrota, mas eu nunca acho que o jogo está ganho na beirada do campo. O futebol feminino mudou muito, está mais competitivo. Quem joga contra o Corinthians dá a vida e acha que pode chegar, e pode, quase fez o segundo gol. É um sentimento de derrota para mim, a gente não trabalha para isso”.
A fala evidencia a preocupação da técnica com o imediatismo das rivais: mesmo sob domínio no placar, bastaram poucos minutos de desconcentração para que o Mixto ameaçasse reduzir a diferença. Para ela, vitórias sem consistência são terreno fértil para surpresas nas fases decisivas.
Treinos intensos que não aparecem em campo
Emily reforçou que a entrega nos trabalhos diários não está se convertendo no desempenho competitivo desejado. O diagnóstico aponta para um problema de mentalidade que vai além do aspecto físico: é preciso manter intensidade, ainda que a superioridade técnica se traduza rapidamente em vantagem no marcador.
“Elas entregam muito nos treinamentos, é o que me deixa mais p*ta da vida, porque entregam muito no treino. Não consigo posicionar um treino que não foi legal. Não é o que reflete o segundo tempo. Falo sobre atropelar no bom sentido, no que eles entregam no treino, competição saudável. Os 15 primeiros minutos do segundo tempo foram os piores. Temos que mudar isso já”.
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A treinadora ressaltou que os 15 minutos iniciais da etapa complementar foram os piores do confronto, sinalizando urgência para corrigir o relaxamento pós-intervalo. O objetivo, segundo ela, é garantir que a produção ofensiva e o volume de jogo se estendam pelos 90 minutos.
Análise: Cobra para manter padrão campeão
A declaração pública de Emily Lima cumpre dois papéis. Primeiro, envia recado claro ao elenco: o Corinthians quer títulos e não apenas vitórias circunstanciais. Segundo, antecipa o discurso de alerta em um Brasileirão Feminino que apresenta crescente equilíbrio técnico. Rivalidades regionais — como a disputa ponto a ponto com o Palmeiras pela liderança — ampliam a necessidade de constância.
Ao expor o problema agora, a comissão técnica tenta blindar o grupo contra tropeços futuros, sobretudo nos mata-matas que costumam punir lapsos de concentração. O recado é simples: manter alto padrão é tão importante quanto conquistar três pontos.
O que você acha? O Corinthians precisa de mudanças táticas ou psicológicas para sustentar a liderança? Para acompanhar mais análises do campeonato, acesse nossa cobertura completa.

