Alexander Barboza — Pouco depois da vitória sobre o Corinthians, o zagueiro argentino detalhou por que deixará o Botafogo rumo ao Palmeiras na pausa da Copa do Mundo de 2026, expondo abertamente uma decisão impulsionada pela necessidade urgente de caixa no clube carioca.
- Em resumo: Botafogo vende Barboza por quase R$ 20 milhões para equilibrar finanças.
- Jogador relata frustração com renovação travada e falta de garantias esportivas.
Renovação travada vira venda forçada
Segundo Barboza, a diretoria alvinegra não conseguiu avançar na extensão contratual iniciada no começo do ano. O impasse, somado à pressão por receitas, acelerou a oferta palmeirense, aprovada ainda durante o Campeonato Brasileiro. Como descreve o regulamento publicado pela Confederação Brasileira de Futebol, o clube tem até a janela intermediária para registrar o atleta.
O defensor contou que a abordagem foi direta: ou aceitava a transferência imediata ou veria o clube atrasar salários. A versão contrasta com o tom de estabilidade que o Botafogo tenta transmitir publicamente.
“O clube precisa de dinheiro, precisava pagar o salário dos jogadores e ligaram para mim falando que eu tinha que ir embora porque a minha renovação no clube estava parada. Com a renovação travada, o clube decidiu que o melhor era me vender e falou para mim: ‘Tem que ir embora’. Me deram as opções de Palmeiras e Cruzeiro. O clube escolheu quem dava mais dinheiro. A realidade é que eu não me senti valorizado”.
A fala escancara a falta de poder de barganha do Botafogo: a necessidade de liquidez falou mais alto que qualquer planejamento de elenco. Também coloca o Palmeiras em posição vantajosa, contratando um titular direto de um concorrente.
Pedido de garantias e desconfiança no projeto
Barboza revelou que pretendia permanecer até o fim do contrato, mas exigia duas condições: estabilidade no elenco vencedor e a certeza de que não seria negociado a curto prazo. A diretoria, sem garantias financeiras, não conseguiu atendê-lo.
“Eu pedi a segurança de que eu não queria ser vendido quando eu renovasse, eu queria ter a certeza de que não ia ser vendido, como aconteceu com outros jogadores. Eu queria ter certeza que o clube ia ter um projeto ganhador. O clube não conseguiu me dar as duas coisas que eu pedi”.
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Essa segunda declaração reforça que a ruptura vai além do aspecto econômico. Sem clareza de um projeto vencedor e temendo repetir saídas repentinas de colegas, o argentino avaliou que aceitar a proposta agora seria menos arriscado que permanecer sem respaldo.
Análise: impacto financeiro e sinal de alerta
A negociação evidencia um ponto crítico: quando um titular admite sair para salvar a folha salarial, o problema de caixa ultrapassa o debate técnico. A operação de R$ 20 milhões alivia o curto prazo, mas abre brecha para questionar o planejamento do Botafogo em ano de competições simultâneas.
Além disso, a falta de garantias solicitadas por Barboza sugere insegurança interna sobre metas esportivas. Caso outros atletas compartilhem da mesma percepção, o clube pode enfrentar novas pressões por vendas na próxima janela — cenário que ameaça a competitividade a médio prazo.
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