Flamengo — A revelação de Lucas Paquetá sobre como uma investigação da federação inglesa enterrou sua mudança para o Manchester City expõe um bastidor pouco conhecido e capaz de redefinir a trajetória do meia rubro-negro.
- Em resumo: Proposta do clube de Pep Guardiola caiu após carta da FA apontar suspeita de manipulação de cartões.
- Abalo emocional atingiu Paquetá e família, que viveram três meses de “desespero”.
Carta da federação inglesa interrompe negociação milionária
Segundo Paquetá, o acerto com o Manchester City estava tão avançado que ele chegou a comemorar publicamente com amigos e familiares. O problema surgiu quando a federação inglesa enviou comunicado oficial informando a abertura de investigação sobre suposta manipulação de cartões amarelos — procedimento que, de acordo com o manual disciplinar da Premier League, pode inviabilizar registros de novos atletas até a conclusão do processo.
O episódio ocorreu na reta final da janela europeia, momento em que City e West Ham alinhavam cifras e detalhes contratuais. A simples existência da apuração gerou bloqueio imediato da transferência, pois nenhuma das partes estava disposta a assumir o risco jurídico e de imagem.
“Eu recebi uma proposta do Manchester City, que era o clube dos meus sonhos. Estive muito próximo de me transferir. Lembro que numa quinta-feira a gente saiu para jantar para comemorar porque estava praticamente tudo certo”.
A fala mostra a magnitude da frustração: o negócio era tratado como concluído internamente, sem expectativa de revés. Para Paquetá, abandonado às vésperas de um salto de carreira, o choque foi proporcional ao entusiasmo inicial.
Impacto emocional e dúvidas sobre reputação
Com o alerta da federação inglesa, Paquetá viu ruir não apenas a transação milionária, mas também sua confiança. Ele narrou que, em 72 horas, saiu de campo pelo West Ham, celebrou em um culto em Londres e, no dia seguinte, recebeu a carta que mudaria tudo. O meia, hoje de volta ao Flamengo, sustenta que o inquérito colocou em xeque seu caráter diante do mercado europeu.
“Ele me ligou e falou: ‘Esquece o Manchester City, porque isso acabou’. Fiquei desesperado. Mexia com meu sonho, com meu caráter e com a minha dignidade. ‘Os advogados falaram para mim que, quando a federação pega alguém, dificilmente está errada’. Foram os piores três meses da nossa vida. Acho que a gente estava em depressão. A gente só sabia chorar”.
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O depoimento evidencia como questões extracampo podem pesar tanto quanto desempenho técnico. Para um atleta acostumado a definir jogos, a impossibilidade de controlar o desfecho jurídico se transformou em angústia contínua, refletindo no cotidiano da família e no ambiente do clube.
Análise: riscos de integridade esportiva e mercado de transferência
Quando autoridades esportivas investigam manipulação de resultados, o efeito em cadeia atinge clubes, patrocinadores e atletas. No caso de Paquetá, a suspeita bastou para o Manchester City recuar, temendo punições financeiras e de reputação. O episódio reforça a tendência de due diligence extrema em contratações de alto valor, sobretudo na Premier League, onde as regras de fair play e apostas são cada vez mais rígidas.
Além disso, o relato expõe a vulnerabilidade de jogadores perante sistemas disciplinares internacionais. Mesmo sem conclusão sobre culpa, a simples abertura de procedimento foi suficiente para paralisar a carreira de um atleta de elite — sinal de que, hoje, integridade esportiva virou ativo tão valioso quanto gols ou assistências.
O que você acha? A investigação deveria ter sido divulgada antes de o negócio avançar? Para acompanhar mais análises do Brasileirão e bastidores do Flamengo, acesse nossa cobertura completa.

