SÃO PAULO — Mesmo com a janela de transferências fechada, o Tricolor paulista mantém o telefone aquecido e negocia uma operação de troca com o Botafogo que pode mexer com o futuro do zagueiro Nahuel Ferraresi e do volante Newton.
- Em resumo: Botafogo propôs Newton em definitivo e ouviu do São Paulo a sugestão de incluir Ferraresi na equação.
- Discussão avança porque os dois clubes buscam soluções de baixo custo para reforçar setores carentes.
Como a ideia de troca ganhou força
Nos bastidores, a diretoria do São Paulo avalia que precisa de um volante de intensidade para a sequência do ano. Newton, de 26 anos, perdeu espaço no Botafogo, mas mantém boa avaliação interna no Morumbi. O cenário facilita uma negociação sem grandes desembolsos, ponto crucial para um clube que ainda lida com restrições financeiras.
Do outro lado, o Botafogo já investiu cerca de R$ 5 milhões no empréstimo de Ferraresi, válido até o fim da temporada. Para mantê-lo em definitivo, o Alvinegro teria de exercer a opção de compra de 6 milhões de euros — valor considerado alto no atual câmbio. A inclusão do zagueiro na troca, portanto, surge como atalho para evitar esse gasto elevado, respeitando o regulamento do Brasileirão que limita novas inscrições fora da janela.
Condições contratuais na mesa
O ponto sensível da conversa é justamente o formato: o Botafogo deseja Newton livre de direitos econômicos, enquanto o São Paulo pretende que Ferraresi permaneça no Nilton Santos apenas até dezembro. Uma extensão do vínculo do defensor ou mesmo a cessão parcial dos percentuais de ambos os atletas virou tema de estudo jurídico entre os clubes.
Ferraresi, já adaptado ao esquema tático alvinegro, tem minutos regulares e agrada à comissão técnica carioca. Newton, por sua vez, soma 18 partidas na temporada e vê a oportunidade de atuar em um gigante paulista como chance de retomar protagonismo. A convergência de interesses sustenta otimismo de ambas as diretorias.
Análise: impacto financeiro e esportivo
A possibilidade de troca sem grande liquidez em caixa reflete a nova realidade do mercado brasileiro: clubes procuram criatividade contratual para equilibrar competitividade e orçamento. Para o São Paulo, liberar Ferraresi significaria enxugar uma folha que terá reforços em outras posições; já para o Botafogo, ceder Newton mitigaria a necessidade de investir milhões na compra do zagueiro, mantendo uma peça já integrada ao elenco.
Esportivamente, o movimento atende carências mapeadas: o Tricolor ganha mais força de marcação no meio, e o Alvinegro preserva a consistência defensiva em meio a um calendário decisivo. Qualquer deslize, porém, pode alterar o humor da torcida, tradicionalmente exigente em ambas as praças.
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