Corinthians — Em uma conversa franca ao Charla Podcast, Talles Magno abriu o coração sobre a passagem pelo Timão, exaltou o papel decisivo da torcida alvinegra e explicou como os métodos de Ramón Díaz e Dorival Júnior moldaram seu desenvolvimento técnico.
- Em resumo: Atacante classifica a Fiel como “diferente” por apoiar até nos minutos finais, mesmo sem vitória.
- Jogador conta bastidores dos treinamentos sob Ramón Díaz e da relação paternal com Dorival Júnior.
A força que vem das arquibancadas
Para Talles, a experiência no Corinthians foi moldada sobretudo pela sinergia com a Fiel. Segundo ele, o comportamento do torcedor corintiano foge do padrão visto em outros grandes clubes do país. Enquanto algumas torcidas oscilam entre incentivo e cobrança, a Fiel “empurra” até o último lance, independentemente do placar. O atacante, hoje no New York City FC, garante que essa postura foi decisiva para que ele mantivesse a confiança mesmo em momentos adversos.
O relato ecoa o reconhecimento histórico de que o Corinthians vira “outro time” quando sente o estádio pulsar. Não por acaso, o clube já ergueu conquistas como o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil sob atmosfera que costuma ser descrita como um “caldeirão”. Há, inclusive, estudos internos da CBF que atribuem vantagem competitiva a elencos impulsionados por altos índices de ocupação nos estádios, o que reforça a fala de Talles.
“Muitos falam que não tem nada igual, que é surreal, e eu senti isso mesmo. No Brasil, existe muito aquilo de o time estar perdendo e a torcida diminuir o apoio, parar de incentivar e começar a cobrar, o que é normal para um torcedor. Mas o que torna o Corinthians diferente é justamente isso. Mesmo com o jogo em 0 a 0, aos 45 minutos do segundo tempo, eles continuam apoiando como se estivéssemos vencendo por 3 a 0. Isso torna eles diferentes. E também conseguem lotar qualquer estádio, no Brasil ou fora dele”.
O depoimento reforça o entendimento de que a Fiel atua como “12º jogador”. Para um atleta jovem, sentir o respaldo de mais de 40 mil vozes nos acréscimos representa um gatilho psicológico capaz de virar partidas e carreiras.
Do treinamento intenso ao diálogo aberto
Além da vibração das arquibancadas, Talles detalhou o contraste de métodos entre Ramón Díaz e Dorival Júnior. Com o técnico argentino, o dia a dia no CT se destacava por envolvimento ativo da comissão. Ramón, o filho Emiliano e auxiliares participavam de finalizações, bobinhos e orientavam de dentro do gramado. A prática, segundo o atacante, ajudava a transformar feedback em execução quase imediata nos jogos.
“Com o Ramón Díaz, eles participavam muito dos treinos. O Emiliano, filho dele, e toda a comissão entravam nas atividades, faziam finalizações, jogavam bobinho. O Ramón me falava o que eu precisava fazer durante os jogos. Ele enxergava o que estava faltando e a gente trabalhava em cima disso. O dia a dia foi muito importante. E o time do Corinthians é top. Desde que cheguei, sempre foi muito bom”.
Quando Dorival assumiu na reta final, o tom mudou: menos demonstração prática e mais conversa individualizada. Talles descreve o treinador como “paizão”, alguém que sentava ao seu lado, revia lances e traçava metas de evolução sem perder o aspecto humano.
Embora não tenha encerrado a passagem em alta, o atacante contabilizou 67 partidas, nove gols e sete assistências, além de participar diretamente nos títulos paulista e da Copa do Brasil de 2025. Números expressivos para quem chegou ainda em formação e precisou se adaptar a duas escolas de trabalho distintas.
O que você acha? O apoio incondicional da Fiel realmente faz diferença dentro de campo ou é o elenco quem determina tudo? Para acompanhar mais análises do Timão, acesse nossa cobertura completa.


