Marrocos — A poucos dias da partida que vale vaga na semifinal da Copa do Mundo de 2026, o técnico Mohamed Ouahbi empurrou todo o favoritismo para a França, mas avisou que sua seleção chega mais madura do que em 2022 e preparada para surpreender.
- Em resumo: Ouahbi diz que os Bleus são favoritos, porém aposta no crescimento marroquino para buscar a classificação.
- Treinador elogia o árbitro Facundo Tello e descarta entrar em debate sobre possíveis interferências.
Favoritismo declarado, mas sem complexo de inferioridade
Em coletiva na última quarta-feira, Ouahbi fez questão de realçar a força do elenco francês, atual vice-campeão mundial. Jogando com a pressão do resultado para o outro lado, o técnico argumentou que o elenco marroquino amadureceu desde a campanha histórica de 2022 e que a reedição do confronto terá contornos bem diferentes. Segundo ele, o prêmio real é seguir vivo no torneio organizado pela Fifa, não apenas repetir façanhas passadas.
Essa estratégia de declarar o rival favorito costuma aliviar a tensão interna e, ao mesmo tempo, manter o grupo focado na execução do plano de jogo. O comandante norte-africano sinalizou que a abordagem tática poderá variar em relação ao duelo de dois anos atrás, quando Marrocos terminou eliminado nas semifinais.
“Sempre gosto de dizer que o sucesso se mede ao final da competição. Já falamos como estafe com os jogadores. Não vamos nos enganar, França é favorita, mas faremos o possível para ganhar o jogo de amanhã. Não gosto da sensação de enfrentar um muro. O grande prêmio é ganhar a Copa, não gosto disso de chegou aqui e está tudo bem.”
A fala reforça a ideia de que a equipe se recusa a celebrar apenas o fato de chegar longe. Para Ouahbi, o verdadeiro objetivo é disputar a taça, mesmo que o caminho passe pelo adversário considerado mais forte do chaveamento.
Árbitro argentino e clima de respeito mútuo
Antes da bola rolar, o árbitro Facundo Tello, da Argentina, entrou na pauta de parte da imprensa europeia por conta de decisões recentes em partidas de clubes, mas o comandante marroquino evitou qualquer sinal de desconfiança sobre a arbitragem. A cautela segue o mesmo tom adotado por Didier Deschamps, que também se recusou a polemizar.
“É um árbitro experiente e é isso que queremos. Estamos tranquilos. Tivemos um árbitro holandês antes de jogar contra Holanda e foi bem. Não entramos nisso… Acho que precisa melhorar nesse sentido. Mas nada a mais, estão no nível.”
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Ao elogiar a experiência do juiz, Ouahbi tenta blindar o grupo de ruídos externos que poderiam tirar o foco do desempenho em campo. A postura evita que o tema vire combustível para discussões dentro ou fora do vestiário, reduzindo o risco de sanções disciplinares por declarações intempestivas.
Análise: a pressão silenciosa sobre a França
Ao qualificar os Bleus como favoritos, o técnico marroquino mexe com a narrativa do confronto. A França, já encarregada de confirmar o status de potência, passa a lidar com a obrigação de vencer, enquanto Marrocos joga pelo bônus de repetir — e, quem sabe, superar — a melhor campanha de sua história. A estratégia psicológica não é nova, mas costuma surtir efeito em mata-matas de grande porte, onde a ansiedade pesa tanto quanto a qualidade técnica.
Se a França falhar em impor seu jogo no Gillette Stadium, a cobrança imediata recairá sobre Deschamps e seus astros. Marrocos, por sua vez, chega embalado por mais uma campanha de superação e com a memória recente de ter eliminado gigantes na edição anterior. Esse contexto transforma o duelo em terreno fértil para surpresas.
O que você acha? A tática de jogar o favoritismo para o adversário vai funcionar ou a França confirmará sua força? Para acompanhar tudo sobre o Mundial, acesse nossa cobertura completa.


