São Paulo — Na apresentação urgente de Dorival Júnior nesta segunda-feira, no CT da Barra Funda, o diretor executivo Rui Costa reconheceu publicamente que a demissão de Hernán Crespo, quando o time era vice-líder do Brasileirão, poderia ter seguido um rito “de outra maneira”.
- Em resumo: Rui Costa admitiu falha no processo que tirou Crespo.
- Dirigente reforçou que cada troca partiu de avaliação interna detalhada.
Dirigente admite falha e mira novo ciclo
Ao oficializar Dorival, terceiro técnico do clube em 2026, Rui Costa fez uma autocrítica rara no cenário nacional. Ele lembrou que a saída de Crespo abriu espaço para Roger Machado, movimento que gerou forte rejeição da torcida. Mesmo defendendo a necessidade da ruptura, o dirigente reconheceu que a condução foi falha.
“Talvez, e não tenho problema de admitir isso, porque estou responsável pelo departamento… eu não tenho nenhuma dúvida de que a mudança que antecede o Roger, que gera a maior crítica do torcedor, ela foi necessária. Talvez ela pudesse ter sido feita de outra maneira”.
A declaração evidencia que, embora mantenha a convicção sobre a decisão técnica, Costa tenta reparar a forma como o processo foi percebido externamente, um passo para reduzir a tensão com o torcedor às vésperas de um calendário decisivo.
Pressão da arquibancada e critérios internos
Questionado sobre a rotatividade no comando, o executivo destacou que qualquer profissional em um clube do tamanho do São Paulo precisa conviver com cobrança constante. Segundo ele, cada troca foi sustentada por diagnósticos que apontavam estagnação de desempenho ou risco de perda de metas esportivas.
“A inconformidade do torcedor com o meu trabalho é aceitável e pertinente. Quem trabalha em um clube da grandeza do São Paulo tem que estar preparado para essa pressão. Não tornamos a troca do treinador algo fútil. Quando decidimos mudar, essa mudança é precedida de uma avaliação de que isso é necessário. E foi isso o que fizemos nos dois casos”.
A fala reflete a tentativa da diretoria de qualificar as mudanças como estratégicas, não emocionais, reforçando a narrativa de que resultados sustentáveis dependem de diagnósticos técnicos, e não de clamor popular.
Análise: impacto da rotatividade no planejamento tricolor
As confissões de Rui Costa evidenciam um dilema recorrente nos grandes clubes: conciliar a urgência por resultados com a necessidade de processos sólidos. Admitir erro em público cria espaço para reconstruir confiança interna, mas coloca Dorival sob holofotes antes mesmo da estreia. Cada partida vira teste não apenas para o técnico, mas para a credibilidade do departamento de futebol.
Nesse cenário, a diretoria também busca escudo institucional. Ao amarrar o discurso a avaliações “profundas”, Costa tenta blindar o próximo ciclo, ciente de que nova ruptura em 2026 agravaria a percepção de improviso.
Estreia de Dorival na Sul-Americana
Dorival assinou até o fim da temporada e terá pouco tempo para ajustar a equipe. A primeira prova será nesta terça-feira, às 21h30, contra o Millonarios no Morumbis, duelo válido pela Copa Sul-Americana. O confronto, regido pelo regulamento disponível no site oficial da Conmebol, marca o retorno do treinador ao futebol paulista em cenário de expectativa máxima.
No passado recente, Dorival construiu fama de “bombeiro” ao assumir elencos em turbulência. Agora, chega com a missão de estabilizar um grupo que trocou de comandante duas vezes em menos de cinco meses, recuperar desempenho no Brasileirão e avançar nos torneios continentais.
O que você acha? A admissão de erro de Rui Costa abre caminho para um relacionamento mais transparente ou aumenta a pressão sobre Dorival Júnior? Para acompanhar mais, acesse nossa cobertura completa.

