Maycon — Volante do Atlético-MG, formado no Corinthians, expôs bastidores da frustrada tentativa de permanência no clube paulista e disse ter deixado o Parque São Jorge marcado injustamente como “mercenário”.
- Em resumo: Jogador cobra transparência da antiga diretoria sobre impasse com o Shakhtar.
- Mágoa veio à tona após reencontro em vitória corintiana sobre o Atlético-MG.
Bastidores do impasse com o Shakhtar
O reencontro entre Corinthians e Atlético-MG, vencido pelo Timão, serviu de palco para Maycon explicar por que o acordo de compra definitiva, tentado até o fim da temporada passada, naufragou. Segundo o atleta, tudo estava alinhado entre ele e o clube de origem, mas a saída do então diretor de futebol Fabinho Soldado e a intransigência do Shakhtar Donetsk esfriaram as tratativas. Nos bastidores, a versão de que o volante teria priorizado o salário alimentou críticas da Fiel.
“Acho que foi uma negociação… Se eu voltar atrás disso, posso criar uma situação que não quero. O clube seguiu, e eu também. A gente tinha tudo acertado entre mim e o Corinthians, mas havia a parte do Shakhtar, e eles não se acertaram com o clube, principalmente pela saída do Fabinho Soldado, que estava conduzindo tudo. Antes da final, nós estávamos praticamente acertados; faltava o Shakhtar“.
A declaração confronta a narrativa de que Maycon teria mudado de ideia no último momento. Ao responsabilizar a equipe ucraniana e a mudança de dirigente, o jogador tenta limpar sua imagem com a torcida corintiana.
Sem consenso financeiro, o negócio esbarrou no valor de compra fixado pelo Shakhtar, superior ao teto estabelecido na reestruturação orçamentária conduzida pelo presidente Augusto Melo. O volante, então, aceitou proposta do Atlético-MG, onde se firmou rapidamente como titular e liderança de vestiário após a saída de Hulk. O caso ilustra a dificuldade dos clubes brasileiros em negociar com detentores de direitos econômicos no exterior, conforme mostram dados divulgados pela Confederação Brasileira de Futebol.
Mágoa com a diretoria alvinegra e rótulo de mercenário
Para Maycon, o maior incômodo não foi a transferência em si, e sim o silêncio institucional do Corinthians. A ausência de explicações oficiais teria deixado o atleta exposto à desconfiança popular. Ao falar sobre quase um ano de direitos de imagem atrasados, o meia relembra contextos financeiros delicados que o clube enfrentava — fator que, segundo ele, nunca foi motivo para abandonar o projeto desportivo.
“Naquele momento, ficou um ressentimento por não terem falado o que realmente aconteceu. Eu saí como um mercenário, como alguém que não sabia da situação financeira do clube. Fiquei cinco anos aí em uma situação complicada, quase 11 meses sem receber direitos de imagem. Nunca vim aqui falar nada. Quem falou na imprensa que eu saí por questão financeira, que não coloquei o clube como prioridade, não foi nada disso”.
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O desabafo reforça a tese de que a opacidade na comunicação oficial abre espaço para rumores prejudiciais. Ao expor números de atrasos salariais, Maycon tenta demonstrar lealdade ao antigo empregador e, ao mesmo tempo, justificar sua decisão de seguir carreira em Belo Horizonte.
Análise: transparência e reputação no futebol brasileiro
O episódio evidencia como a falta de clareza em negociações impacta a reputação de atletas e clubes. Quando diretoria e representantes não alinham o discurso público, a narrativa passa a ser conduzida por especulações, intensificadas pelas redes sociais. No caso de Maycon, o silêncio do Corinthians acabou pavimentando a pecha de “mercenário”, embora o bloqueio final tenha vindo da divergência com o Shakhtar.
A situação também mostra a pressão por responsabilidade financeira vivida pelos grandes clubes. Ao recusar valores considerados fora da nova realidade orçamentária, o Timão correu risco reputacional, enquanto o jogador buscou nova oportunidade sem comprometer sua imagem de líder dentro de campo.
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