Vasco — A venda da SAF cruz-maltina voltou aos holofotes depois que o investidor José Lamacchia, avalista do filho Marcos, atacou publicamente críticas de BAP e deixou claro que só fechará negócio se Pedrinho reassumir a presidência.
- Em resumo: Lamacchia mandou BAP “cuidar do Flamengo” e negou conflito de interesses.
- Compra da SAF fica condicionada ao retorno de Pedrinho ao comando do clube.
Rebate a BAP expõe tensão entre rivais
A troca de farpas começou quando BAP, dirigente rubro-negro, questionou a lisura da negociação que pode colocar a família Lamacchia no controle do Vasco. O empresário reagiu de imediato, afirmando que o dirigente deveria concentrar-se nos assuntos do próprio clube. Ao negar qualquer conflito de interesses, Lamacchia lembrou que seu histórico de investimentos no futebol não impede novos aportes e citou a necessidade de gestão independente, tema que a Confederação Brasileira de Futebol também monitora em projetos de SAF.
A irritação de Lamacchia ilustra a rivalidade extracampo entre os clubes cariocas, especialmente num momento em que o Vasco luta para atrair capital e escapar dos últimos lugares na elite nacional.
“Ele deveria cuidar do Flamengo. O Flamengo tem problemas também, e bastante. Ele devia cuidar do problema e não ficar dando palpite no que não é da conta dele. Eu nunca dei palpite no que não é da minha conta. E ele deveria fazer o mesmo; é um conselho que eu dou a ele. Vá tomar conta do seu clube e não encha o saco do clube dos outros”
A declaração, feita em entrevista ao portal GE, sinaliza que Lamacchia não pretende abrir espaço para questionamentos externos durante as negociações. Ao adotar tom duro, ele reforça a ideia de que a SAF vascaína precisa de estabilidade política para avançar.
Condição de Lamacchia para adquirir a SAF
Se a briga de bastidores com BAP já colocava fogo na discussão, o investidor foi além ao vincular a compra à permanência de Pedrinho no comando. O ex-jogador, eleito mandatário, foi afastado recentemente em meio a disputas internas, e sua ausência tornou-se o principal obstáculo para o aporte milionário.
“O meu filho só vai comprar o Vasco se o Pedrinho estiver na presidência. Com aqueles que estão lá, eu não tenho condição. Então, o Marcos não vai querer ficar com aqueles caras. Eles ficam só querendo cargo no Vasco. O que fizeram com o Pedrinho foi a maior aberração que já vi na minha vida”
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A fala escancara a desconfiança de Lamacchia em relação ao grupo que hoje ocupa o poder em São Januário. Sem Pedrinho, afirma, não há garantias de um projeto esportivo alinhado às melhores práticas de governança — algo crucial para quem pretende investir pesadamente em médio e longo prazo.
Análise: SAF, poder e governança cruz-maltina
O impasse revela como a estrutura societária do futebol brasileiro ainda depende fortemente de lideranças pessoais. Embora a SAF prometa profissionalizar a gestão, a figura de Pedrinho é vista por Lamacchia como garantia de credibilidade para blindar o clube de disputas políticas. Esse cenário reforça a tese de que, sem consenso interno, investidores tendem a recuar, postergando a injeção de recursos essenciais para equilibrar finanças e elenco.
No curto prazo, a condicionante cria pressão adicional sobre o Conselho Deliberativo: ou recompõe a diretoria com Pedrinho ou corre o risco de perder a oportunidade de atrair capital privado — peça-chave para reforços, pagamento de dívidas e manutenção na Série A.
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