CBF — Em carta oficial encaminhada à Fifa, a Confederação Brasileira de Futebol contestou a decisão que anulou o gol de Vini Jr no duelo entre Brasil e Escócia e colocou sob suspeita a escolha do árbitro mexicano César Ramos.
- Em resumo: entidade alega que o VAR contrariou o padrão adotado na Copa do Mundo.
- Documento também lembra outra polêmica envolvendo o mesmo árbitro em 2018.
Carta oficial desafia decisão do VAR
O ofício, assinado pelo presidente Samir Xaud, sustenta que a revisão do lance no qual Vinicius Júnior balançou as redes aos 21 minutos do primeiro tempo não seguiu as diretrizes que, segundo a CBF, vinham sendo aplicadas nas partidas do torneio. O texto destaca que nem mesmo os atletas escoceses esperavam a interrupção do jogo para análise do vídeo, reforçando a percepção de surpresa geral. A federação utiliza as diretrizes de arbitragem da Fifa como referência para argumentar que a intervenção deveria ter sido dispensada.
Para a cúpula brasileira, o episódio reforça a necessidade de uniformizar a atuação do VAR e deixar claro em quais situações a tecnologia deve prevalecer sobre a interpretação de campo.
“A anulação do gol brasileiro contra a Escócia no 21º minuto não parece alinhada com a filosofia adotada durante a competição. Notavelmente, a decisão parece inesperada não apenas para o time brasileiro, mas também para os jogadores escoceses, cuja reação imediata sugere que não anteciparam uma revisão ou subsequente anulação do gol.”
A passagem acima, extraída do ofício, tenta mostrar que o protocolo do VAR teria sido aplicado de forma excepcional justamente em um lance favorável ao Brasil, o que, para a CBF, abre margem a interpretações sobre falta de consistência na arbitragem.
Árbitro volta ao centro da controvérsia
Além de questionar o vídeo, o documento critica a designação de César Ramos, lembrando que o mexicano já havia sido alvo de reclamações da delegação em 2018, quando validou o gol de empate da Suíça diante do Brasil, também em Copa do Mundo. Embora ressalte que não duvida da honestidade do juiz, a entidade considera que a nomeação repetida em partidas decisivas “pode criar clima de desconfiança desnecessário”.
“É compreensível que questões surjam quando o mesmo árbitro de novo é envolvido em mais uma decisão importante afetando o Brasil na Copa do Mundo. Nós enfatizamos que esta observação não deve ser interpretada como crítica à integridade ou competência do árbitro, mas mais uma reflexão sobre a importância de evitar circunstâncias que podem desnecessariamente criar a percepção de inconsistência e controvérsia.”
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Na leitura da CBF, repetir um árbitro já associado a polêmicas mina a credibilidade do torneio e fortalece narrativas de favorecimento ou perseguição — tema sensível em disputa de alcance global.
Análise: pressão sobre o protocolo de arbitragem
A iniciativa de levar o caso à Fifa, ainda na fase de grupos, aumenta o escrutínio sobre o VAR e pressiona o comitê de arbitragem a justificar publicamente seus critérios. Se a entidade máxima ceder à demanda brasileira, outras federações poderão enxergar precedente para contestar lances semelhantes, elevando o grau de litígio durante o Mundial.
Por outro lado, o movimento pode servir de blindagem interna: ao mostrar reação imediata, a CBF sinaliza a jogadores, comissão técnica e torcedores que não ficará passiva diante de decisões interpretadas como injustas, numa tentativa de manter o grupo focado no campo.
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