Ex-projetista detona pacote de motores da F1 para 2027

Fórmula 1 — As mudanças de motor anunciadas pela FIA para 2027 já enfrentam forte resistência dentro do paddock; o ex-projetista Gary Anderson alerta que o pacote não elimina o maior drama atual dos pilotos: a impossibilidade de andar com o acelerador cravado durante a maior parte da volta.

  • Em resumo: Anderson diz que o novo regulamento ignora o déficit de energia recuperável e pode perpetuar o “lift and coast”.

Potência extra, mesmo problema

Pelo plano da FIA, o motor a combustão ganhará cerca de 50 kW e haverá mais fluxo de combustível, enquanto o sistema de recuperação de energia (MGU-K) perderá potência equivalente. A justificativa oficial é tornar as corridas “mais seguras, equilibradas e intuitivas”. No entanto, Anderson argumenta que a divisão quase meio a meio entre combustão e energia elétrica permanece e continua travando o ritmo de volta. Em análise publicada no site The Race, ele simulou um circuito genérico para demonstrar o gargalo de regeneração.

Para o engenheiro, pilotos querem acelerar totalmente em 60 % da volta e frear forte em 15 %. Nesse cenário, sobram poucos metros para recarregar a bateria, o que empurra as equipes ao já criticado “lift and coast” e ao “super clipping”. A discrepância, segundo ele, não será corrigida pelo simples acréscimo de potência térmica. A própria FIA reconhece que o pacote ainda pode sofrer ajustes, mas sustenta que a linha geral foi pactuada “no melhor interesse do esporte”, conforme divulgado pelos canais oficiais e repercutido pela cobertura internacional da ESPN.

“É aí que isso nunca fez sentido para mim… apenas 33 % da volta oferece potencial máximo para recuperação de energia, e isso sendo generoso”, disse Anderson.

Risco de repetir o erro

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Com base nos cálculos apresentados, ele defende que a potência máxima da bateria deveria cair para 70 kW — bem abaixo do que está sobre a mesa — para equilibrar demanda e recarga. “Cometi muitos erros na minha vida, mas uma coisa que tentei não fazer foi cometer o mesmo erro duas vezes”, disparou, apontando que o regulamento de 2026 para frente pode repetir falhas já vistas desde o atual ciclo híbrido iniciado em 2014.

Historicamente, mudanças técnicas profundas na F1 geram ciclos de dominância de quem decifra primeiro o regulamento. A preocupação de Anderson é que um desequilíbrio crônico de energia leve não apenas a carros mais pesados, mas também a corridas com menos duelos em pista — tudo que a categoria tenta evitar para expandir audiência global.

O que você acha? As novas regras vão mesmo deixar as corridas mais empolgantes ou tendem a manter a gestão de energia como vilã? Para acompanhar mais análises de alto nível, visite nossa editoria completa.


Marcelo Freire trabalha com conteúdo digital há mais de uma década e lidera a equipe editorial da Tribuna Futebol. Ao longo da carreira, participou da criação e desenvolvimento de projetos online voltados à informação e entretenimento. No dia a dia, acompanha de perto tudo o que é publicado, revisando conteúdos e orientando a equipe para manter um padrão claro, confiável e alinhado com o que o leitor realmente busca quando procura informações sobre futebol.