São Paulo — Pressionado por oscilações recentes, Dorival Júnior traça um plano para a pausa da Copa do Mundo que inclui recuar André Silva e remodelar o meio-campo tricolor.
- Em resumo: atacante pode virar armador para suprir falta de criatividade.
- Ideia repete estratégia que transformou Alisson em peça-chave na Copa do Brasil de 2023.
Mudança tática mira carência no setor de criação
A decisão de testar André Silva mais atrás nasceu das dificuldades que o São Paulo tem exibido para articular jogadas entre linhas. O elenco carece de um meia clássico, e Dorival vê no camisa 17 mobilidade, visão e força física adequadas para a função. Em recentes treinamentos fechados, o técnico pediu ao jogador que se posicionasse como “meia flutuante”, recebendo passes curtos e distribuindo o jogo na entrada da área, segundo revelou o GE.
A movimentação não é totalmente nova. No duelo da Copa Sul-Americana contra o Boston River, o atacante alternou momentos ao lado de Calleri com recuos pontuais, algo que despertou a atenção da comissão. O objetivo agora é transformar aquela tentativa pontual em desenho permanente, inspirado no processo que fez de Alisson um volante versátil em 2023 — mudança considerada vital na campanha do título da Copa do Brasil, conforme destaca o site oficial da Conmebol.
Antecedente: lesão grave e números de retomada
Contratado em 2024 por 3,8 milhões de euros junto ao Vitória de Guimarães, André Silva viveu o auge em 2025 antes de romper o ligamento do joelho direito. A lesão o tirou dos gramados até o início de 2026, quando voltou no Campeonato Paulista. Desde sua chegada, o jogador soma 103 partidas, 22 gols e oito assistências em 5.035 minutos, estatísticas que comprovam poder de decisão, mas também indicam que ainda falta consistência na construção de jogadas.
No atual contexto, Dorival planeja aproveitar justamente essa experiência ofensiva para municiar o trio de ataque. A ideia é que, ao recuar, André receba a bola de costas, gire e encontre Calleri ou Luciano em condições de finalizar, aliviando a dependência dos laterais na criação.
Análise: criatividade tricolor em xeque
A possível reinvenção de André Silva escancara um problema estrutural: a ausência de meias articuladores no elenco são-paulino. Desde a saída de jogadores mais técnicos, o time se apoia em bolas longas e transições rápidas. O ajuste tático do treinador pode oferecer ganho imediato de inventividade, mas também impõe risco defensivo, já que o atleta não possui vivência consolidada na marcação. O sucesso, portanto, dependerá de coberturas bem coordenadas pelos volantes e pelo zagueiro que inicia a saída de bola.
Em paralelo, a iniciativa reforça a reputação de Dorival como técnico capaz de extrair novas funções de seus comandados, estratégia que já rendeu frutos em outros clubes. Se a adaptação vingar, o São Paulo poderá adiar a busca por reforços de mercado e, de quebra, valorizar um ativo cujo potencial ainda não foi plenamente explorado.
O que você acha? André Silva vai conseguir se firmar como armador tricolor? Para acompanhar mais análises do Brasileirão, acesse nossa cobertura completa.

