VASCO DA GAMA — Em uma participação na série documental Sessão de Terapia, do Globoplay, o presidente vascaíno Pedrinho abriu detalhes de como a depressão tomou conta de sua carreira e influenciou decisões dentro e fora de campo.
- Em resumo: Pedrinho revelou ter chegado a se isolar em casa após sucessivas lesões graves.
- O ex-meia defende que falar sobre saúde mental reduz estigmas no esporte profissional.
Lesões em sequência acenderam alerta emocional
Antes de ocupar a cadeira da presidência em São Januário, Pedrinho era apontado como uma das grandes promessas do futebol brasileiro. A expectativa, contudo, foi minada por rupturas de ligamento em ambos os joelhos e por uma séria fratura na perna. Cada novo problema físico ampliou o tempo longe dos gramados e, com ele, a frustração de não conseguir entregar o potencial esperado. A ausência na Copa do Mundo de 1998 foi o golpe mais duro, segundo o próprio dirigente, quando sua forma técnica vivia o auge.
O ex-jogador reconhece que, naquela época, o tema saúde mental era praticamente invisível no vestiário. Profissionais recebiam tratamento intensivo para o corpo, mas raramente encontravam suporte especializado para a mente. Essa lacuna, hoje discutida inclusive pela imprensa esportiva internacional, tornou o cenário ainda mais pesado para quem convivia com dores crônicas e expectativas externas.
“A depressão, no meu caso, dominou a minha mente completamente. Eu já estava num processo muito ruim, enfurnado no meu quarto, dormindo no banheiro, chorava. As pessoas não entendem, e não é de maldade”.
O relato escancara a dimensão do problema: não se tratava apenas de tristeza passageira, mas de um quadro clínico que comprometeu a rotina diária e exigiu acompanhamento profissional. Ao admitir essas fraquezas em rede nacional, Pedrinho colabora para quebrar o silêncio que ainda cerca o tema entre atletas de alta performance.
Falar abertamente virou missão de vida
Distante dos gramados e alçado à função de dirigente, Pedrinho assumiu um novo tipo de responsabilidade: utilizar sua visibilidade para estimular discussões sobre bem-estar emocional. O documentário revela como o dirigente passou a encarar as críticas públicas sem o peso que carregava no passado, transformando a experiência pessoal em bandeira institucional no clube.
“Você acaba ficando com raiva por elas não te compreenderem, acharem que é tristeza, mimimi. Comecei a ver a importância de falar sobre isso. Essa foi a maior lição que eu tive, que vai passar, tanto os momentos de glória, quanto os momento difíceis”.
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A fala mostra que o dirigente entende o poder da representatividade: ao detalhar suas próprias feridas, inspira jogadores, torcedores e profissionais de categorias de base a buscarem ajuda especializada antes que a situação se agrave.
Análise: tabus em queda, mas caminho ainda longo
O depoimento de Pedrinho faz eco a iniciativas recentes de clubes e federações, que passaram a incluir psicólogos em comissões técnicas e a promover campanhas de conscientização. O movimento, porém, ainda esbarra em discursos antiquados que associam sofrimento psíquico à “falta de força” ou à “fama de mimado”. Enquanto dirigentes de outras agremiações evitam expor vulnerabilidades, o presidente cruz-maltino tenta transformar a fragilidade vivida em trunfo político: ao humanizar a própria história, reforça laços com uma torcida que se orgulha de trajetórias de superação.
Para além das arquibancadas, o exemplo do Vasco dialoga com discussões globais sobre protocolos obrigatórios de apoio psicológico em plantéis profissionais. A Confederação Brasileira de Futebol estuda padronizar avaliações periódicas, medida já discutida em outras ligas de elite. Caso avance, a iniciativa tende a ampliar o debate recentemente intensificado pelo dirigente vascaíno.
Quer entender como outros clubes vêm abordando o tema da saúde mental no elenco? Veja mais na seção Brasileirão do Tribuna Futebol.
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