Santos — A derrota por 2 a 1 para o Botafogo, na retomada do Brasileirão, reacendeu a pressão na Vila Belmiro: o segundo gol carioca surgiu de uma saída equivocada de Gabriel Brazão, mas o técnico Cuca tratou de blindar o goleiro publicamente.
- Em resumo: Cuca assumiu a responsabilidade pelo lance e disse incentivar Brazão a jogar adiantado.
- Torcida questiona, mas comissão considera a jogada parte do plano tático alvinegro.
Treinador assume a bronca e sustenta o plano
Na entrevista pós-jogo, o comandante santista descartou apontar o dedo para o camisa 77. Segundo ele, a equipe treina saídas com o goleiro fora da área para encurtar o espaço dos atacantes rivais, tendência já consolidada em grandes ligas, como destaca a Confederação Brasileira de Futebol em suas diretrizes técnicas.
Para Cuca, a falha foi “um acidente de percurso” que não invalida o conceito. O treinador entende que recuar agora poderia minar a confiança de um elenco jovem que ainda busca estabilidade na competição.
“Tomamos contra-ataque. Estávamos bem postados. A bola estava mais para o defensor. O Brazão foi sair, e eu o incentivo a fazer isso, mas fomos infelizes nessa bola.”
A fala evidencia que a orientação partiu do próprio banco de reservas. Ao assumir a autoria do pedido, Cuca tenta proteger seu goleiro do desgaste nas arquibancadas e — principalmente — nas redes sociais, onde a crítica escalonou rapidamente após o apito final.
Goleiro explica rotina de treinos no CT Rei Pelé
Logo após deixar o gramado, Gabriel Brazão detalhou que a movimentação adiantada não foi improviso. No CT Rei Pelé, o staff trabalha diariamente coberturas longas para evitar bolas infiltradas nas costas da zaga, setor que apresentou instabilidade nas últimas rodadas.
“Olha, acho que fizemos um bom jogo. Eu, também, individualmente fiz um bom jogo. Fui importante em alguns momentos ali. É uma jogada que o Cuca me pede muito para fazer essa cobertura. A gente vê muitos goleiros, hoje, fazendo essa cobertura. Durante a semana ele me cobrou para fazer esse trabalho mais adiantado.”
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O relato confirma a coerência entre discurso e prática. Ainda que a execução tenha falhado, o mecanismo segue nos planos do treinador, reforçando a tese de que o erro isolado não provocará mudança brusca de postura.
Análise: risco calculado ou teimosia tática?
Blindar o goleiro é estratégico, mas expõe o Santos a dois dilemas. Primeiro, a confiança defensiva: se a linha alta carece de sincronia, qualquer deslize vira gol. Segundo, o capital emocional da torcida: insistir em jogadas que já custaram pontos pode ampliar a cobrança sobre Cuca e elenco.
Por outro lado, recuar agora significaria desmontar uma ideia trabalhada desde a pré-temporada. A decisão de manter o modelo indica que a comissão avalia o custo-benefício como favorável a médio prazo, apostando em evolução coletiva para compensar tropeços pontuais.
O que você acha? A estratégia de Cuca deve ser mantida ou o Santos precisa rever a cobertura com Brazão fora da área? Para acompanhar mais discussões do Brasileirão, acesse nossa cobertura completa.


