Matheus Cunha — Em sua apresentação no Internacional, na última segunda-feira (20), o goleiro emprestado pelo Cruzeiro reagiu às críticas recebidas em Belo Horizonte e prometeu recolocar o Colorado no patamar que considera merecido.
- Em resumo: goleiro diz que episódio no Cruzeiro ficou no passado e que chega ao Inter confiante.
- Contrato prevendo opção de compra vai até junho de 2027, mas ele não poderá enfrentar a Raposa nesse período.
Resposta às críticas em Belo Horizonte
Questionado sobre a passagem conturbada na Toca da Raposa, o arqueiro lembrou que assumiu a meta celeste quando Cássio se lesionou. A escolha, segundo ele, foi acelerada por vontade de ajudar, ainda que recém-saído de cirurgia no joelho. A experiência, porém, acabou marcada por falhas e vaias, cenário que pretende deixar para trás. Ele reforçou que a experiência no Cruzeiro não abala sua autoconfiança, citando o preparador de goleiros Fabinho Soldado como peça-chave no novo recomeço.
O objetivo imediato, garante, é disputar posição com Sergio Rochet, Anthoni e Kauan Jesus, grupo que também vive oscilação de rendimento. De acordo com a agenda oficial da CBF, o Colorado precisa de estabilidade para ganhar terreno na Série A, e a chegada de mais um goleiro amplia as opções do técnico.
“O que aconteceu no Cruzeiro foi águas passadas, tenho total confiança da minha qualidade e venho para o Inter para poder ajudar. Fabinho está aí, me conhece dos tempos de Flamengo. E venho feliz, com muita ambição para trabalhar e poder colocar o Inter no lugar que ele nunca deveria ter saído.”
A fala demonstra que o fator motivacional é central: Cunha transforma a experiência negativa em impulso para corresponder no novo clube, além de mencionar a relação de confiança com o preparador.
Novo capítulo no Beira-Rio
Revelado nas bases de São Paulo e Flamengo, o goleiro deixou o Rubro-Negro em 2025 para assinar com o Cruzeiro, onde atuou como titular por conta da lesão de Cássio. O contrato em Minas vai até 2028, mas o empréstimo ao Inter se estende por duas temporadas completas, com cláusula de compra ao final. Durante o vínculo, porém, há proibição de enfrentar o time que detém seus direitos econômicos, evitando um duelo direto que poderia esquentar ainda mais a narrativa.
“Quando eu chego no Cruzeiro, eu tenho uma cirurgia com quatro dias, no joelho, e aí minha recuperação, bem na minha transição, o Cássio se lesiona e na ambição de querer ajudar, retorno antes do tempo, e nunca vou fugir das batalhas. E quando Fabinho me propôs a oportunidade, não tive dúvida.”
O relato reforça que a pressa em retornar de lesão pesou no desempenho. Ao explicar as circunstâncias, o atleta sinaliza que aprendeu com o episódio e que pretende administrar melhor o próprio corpo para render em alto nível em Porto Alegre.
Análise: reconstrução de confiança sob pressão
A negociação evidencia um movimento cada vez mais comum entre grandes clubes brasileiros: usar o empréstimo de longo prazo com opção de compra para recuperar ativos desgastados e reduzir riscos financeiros. Para o Inter, o acordo amplia a concorrência em um setor marcado por problemas físicos de Rochet e desconfiança da torcida com os demais nomes. Para Cunha, trata-se de oportunidade de reconstruir a imagem em um ambiente novo, mas igualmente exigente. Se corresponder, o goleiro pode transformar críticas em trampolim para a retomada da carreira.
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