Vitória — A novela envolvendo Wagner Leonardo ganhou novos capítulos nesta semana, depois que o presidente Fábio Mota negou qualquer avanço na tentativa de repatriar o zagueiro e expôs publicamente uma dívida do Grêmio referente à transferência do defensor.
- Em resumo: Fábio Mota exige a quitação de cerca de R$ 2 milhões antes de negociar o atleta.
- Dirigente afirma que o clube gaúcho “não libera nem paga” e mantém defesa reforçada com Brítez.
Presidente rubro-negro cobra dívida do Grêmio
Questionado sobre as especulações que apontavam para um acordo envolvendo abatimento da dívida, Fábio Mota foi taxativo ao dizer que “nenhuma conversa está em andamento” e que só pensa em receber o valor pendente. A declaração reacende a tensão institucional entre os clubes e coloca pressão no Tricolor, que, pelo regulamento de transferências da CBF, precisa manter as obrigações financeiras em dia para evitar sanções.
Segundo o mandatário, o Vitória procurou o Grêmio antes de fechar com Brítez, mas o negócio esbarrou na falta de pagamento da parcela acordada pela venda de Wagner Leonardo no início de 2025.
“Eu quero receber meu dinheiro do Grêmio, que o cara não paga. Mas vamos lá, não aguento mais falar sobre isso, não é? O Wagner Leonardo é um atleta amigo do clube, tem a maior consideração por nós, e o Vitória também tem a maior consideração por ele. Ele seria uma peça importante no nosso reforço para o Esporte Clube Vitória.”
Ao reforçar que a cobrança financeira é prioridade, Mota colocou em segundo plano o interesse esportivo, ressaltando que a boa relação com o jogador não sobrepõe a necessidade de resguardar o caixa rubro-negro.
Grêmio segura o zagueiro e faz ajustes no elenco
Do lado tricolor, a permanência de Wagner Leonardo parece inegociável por ora. O clube investiu cerca de US$ 4,5 milhões na contratação — algo em torno de R$ 26 milhões à época — e conta com o zagueiro para preencher a lacuna deixada pela saída de Viery, vendido à Fiorentina por 17 milhões de euros (aproximadamente R$ 100 milhões).
Além da venda do jovem defensor, o técnico ganha a alternativa de Wallace para a faixa direita, enquanto Gustavo Martins vinha desempenhando a função de forma emergencial. As chegadas e partidas ainda não solucionam, porém, o impasse com o Vitória.
“Antes do Brítez, a gente tentou, conversou com o Grêmio, mas o Grêmio não liberava, nem pagava, nem liberava. A gente está tentando recuperar o nosso ativo; não andou, e a gente trouxe o Brítez. Então, de lá para cá, não tem nenhuma novidade.”
O relato desnuda os bastidores das tratativas: a pendência financeira travou qualquer chance de acordo, forçando o clube baiano a buscar outro nome para reforçar sua defesa.
Análise: disputa financeira vira fator esportivo
O episódio evidencia como questões financeiras podem impactar diretamente a montagem dos elencos no futebol brasileiro. A dívida de cerca de R$ 2 milhões não representa um valor exorbitante quando comparada às cifras das transações recentes, mas cria um bloqueio político entre as diretorias — e, por tabela, limita o trânsito de atletas entre os clubes.
Enquanto o Vitória prioriza a saúde financeira e mantém a cobrança pública para preservar sua imagem junto à torcida, o Grêmio tenta equilibrar investimentos no elenco sem abrir espaço para a saída de um jogador considerado titular. O desfecho da situação, portanto, depende menos do desempenho em campo e mais da capacidade de ambas as partes de chegarem a um entendimento administrativo.
O que você acha? A pressão pública de Fábio Mota vai acelerar o pagamento ou o Grêmio manterá a postura? Para acompanhar mais atualizações do cenário nacional, acesse nossa cobertura completa.


