CBF — Em meio à pior campanha do Brasil em Copas desde 1990 e a denúncias sobre uso indevido de recursos, a Confederação Brasileira de Futebol decidiu manter Samir Xaud na presidência, frustrando expectativas de mudança imediata no comando.
- Em resumo: Grupo político que levou Xaud ao poder sustenta que a entidade precisa de estabilidade.
- Jogadores experientes pedem tranquilidade no ciclo até 2030 para formar equipe liderada por Vinicius Júnior.
Bastidores de uma permanência contestada
Informações apuradas pelo colunista Lauro Jardim indicam que Samir Xaud foi blindado pelo mesmo núcleo que o elegeu, liderado por Francisco Mendes, filho do ministro Gilmar Mendes. A avaliação interna é de que uma troca drástica agora agravaria a sensação de crise instaurada após a eliminação precoce no último Mundial, regulado pela estatuto da FIFA que exige planejamento antecipado para o ciclo seguinte.
Além do revés esportivo, vieram à tona revelações de pagamentos de despesas pessoais com verbas da confederação. Ainda assim, o entendimento majoritário é de que abrir processo de sucessão poderia paralisar projetos estruturais, como a modernização do centro de treinamento e a negociação de amistosos de alto nível para 2025.
o presidente da CBF, Samir Xaud, não vai cair
A frase, divulgada por Jardim, tornou-se a síntese da decisão. Ao assegurar a continuidade, a cúpula tenta abafar especulações e retomar o foco na reconstrução da Seleção.
Voz do vestiário: recado dos veteranos
Após a queda no Mundial, nomes como Danilo, Casemiro, Neymar, Alisson e Marquinhos procuraram Xaud e o secretário-geral Gustavo Dias Henrique. O grupo, ciente de que poucos deles disputarão a próxima Copa, pediu ambiente estável para que os jovens Vinicius Júnior, Endrick e Rayan assumam protagonismo sem trocas constantes no comando técnico.
O pedido foi para que os próximos quatro anos tenham estabilidade e tranquilidade para a construção de um time em torno de Vinicius Júnior e jogadores mais jovens como Endrick e Rayan.
![]()
O apelo reforça a importância de um ciclo de trabalho completo sob Carlo Ancelotti, elogiado pelos atletas pelo que entregou no último ano. A diretoria vê na manutenção de Xaud um sinal de que não faltará respaldo institucional ao técnico italiano.
Análise: estabilidade ou imobilismo?
A decisão de manter Samir Xaud em meio a investigações sobre verbas expõe um dilema recorrente na CBF: a busca por continuidade esportiva confronta-se com a necessidade de governança transparente. Historicamente, mudanças abruptas no alto escalão coincidiram com turbulências dentro de campo, mas a percepção pública de impunidade pode corroer a legitimidade da entidade.
Se, por um lado, a estabilidade dá tempo para Ancelotti consolidar um elenco jovem, por outro, há risco de que suspeitas financeiras contaminem o ambiente e gerem novas pressões políticas. O desempenho nas Eliminatórias Sul-Americanas será o termômetro imediato dessa aposta.
O que você acha? A CBF acertou ao priorizar estabilidade ou deveria ter trocado a presidência? Para acompanhar mais análises da Seleção, acesse nossa cobertura completa.


