Argentina — Em comentário no UOL Esporte, o ex-atacante Walter Casagrande analisou a campanha da campeã sul-americana na Copa do Mundo e aproveitou para comparar a sintonia dos argentinos com sua seleção ao vínculo que, segundo ele, o Brasil “perdeu há décadas”.
- Em resumo: Casagrande vê a paixão argentina como fator-chave para a virada sobre o Egito.
- Para ele, instabilidade técnica e institucional afastaram a torcida brasileira da Seleção.
Paixão inalterada veste a camisa albiceleste
De acordo com o comentarista, a relação quase visceral entre arquibancada e equipe é o motor que sustenta a Argentina mesmo nos momentos mais dramáticos de um jogo. O ex-jogador citou o triunfo obtido nos 15 minutos finais diante do Egito — quando os atuais campeões da Copa América reverteram desvantagem de 2 a 0 — como exemplo prático desse “pacto emocional” que impulsiona a equipe rumo ao sonhado tetracampeonato. Dados oficiais da Fifa indicam que o confronto foi um dos mais vistos da fase anterior.
Para Casagrande, o argumento de que os atletas brasileiros “jogam fora do país” e, por isso, se distanciam do torcedor não se sustenta. “Os argentinos também atuam na Europa” — lembrou o ex-jogador — mas demonstram conexão imediata quando vestem a camisa listrada em Kansas City ou em qualquer outra parte do planeta.
“A Argentina tem uma interação entre o povo argentino e a Seleção que o Brasil perdeu há décadas.”
O comentário escancarou a crítica à Seleção Brasileira, cujo ciclo recente foi marcado por mudanças de comando e baixa adesão popular nos estádios.
Garra de campo e arquibancada como identidade
Casagrande reforçou o contraste ao descrever a postura da equipe de Lionel Scaloni. Para ele, a Argentina “nunca aceita passivamente” qualquer derrota parcial, um traço que se reflete na forma como Messi, Romero e Enzo Fernández comemoram gols: punhos cerrados, gritos de vibração e nenhuma “dancinha viral” que, na visão do comentarista, banalizaria o momento.
“A torcida argentina é de verdade, e não de TikTok. A Seleção Argentina também é de verdade, e não de influenciadores.”
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A declaração ecoou nas redes sociais e gerou debates sobre autenticidade e engajamento. O impacto foi imediato: torcedores brasileiros dividiram-se entre concordar com a crítica ou apontar que celebrações irreverentes fazem parte da cultura atual do futebol.
Análise: preparação oposta no ciclo pré-Mundial
Os fatos reforçados por Casagrande se sustentam em trajetórias distintas. A Argentina manteve comissão técnica e elenco-base após conquistar a Copa América de 2024, liderou grande parte das Eliminatórias e desembarcou no Mundial em clima de estabilidade. Já o Brasil, sacudido por trocas no comando técnico e na presidência da confederação, não encontrou padrão tático consolidado, o que interferiu na ligação emocional com a torcida.
Consequentemente, a virada épica contra o Egito ganha contornos de afirmação de identidade: luta até o último lance e apoio incondicional das arquibancadas. O próximo teste ocorre sábado (11), às 22h, em Kansas City, quando a Albiceleste encara a Suíça pelas quartas de final.
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