Seleção Brasileira — A reta inicial da Copa do Mundo escancarou um problema que Carlo Ancelotti tenta estancar: já são seis partidas consecutivas com a meta vazada, sequência que não se via desde 2019 e que provoca cobranças internas cada vez mais duras.
- Em resumo: Brasil chega a seis jogos seguidos sofrendo gols e acende sinal vermelho no Catar.
- Comissão técnica aponta falta de pressão ofensiva como parte do diagnóstico.
Sequência de gols sofridos preocupa elenco
A defesa brasileira voltou a falhar coletivamente no empate diante do Marrocos, resultado que fez a estatística negativa saltar aos olhos no centro de treinamento. O último período semelhante remete ao fim de 2019, época de reconstrução pós-queda para a Bélgica e posterior título da Copa América. Em comum, a instabilidade defensiva colocou a Amarelinha no divã, agora sob a tutela de um técnico diferente e diante de expectativas renovadas.
Os próprios jogadores admitem o desconforto. Goleiro e capitão no torneio, Alisson enfatizou a urgência de estancar a sangria, ecoando discussões que tomam o vestiário e as salas de vídeo desde a estreia.
“Uma equipe vencedora tem que odiar tomar gol”, disse Alisson.
A frase repercutiu como um mantra nos treinos seguintes: além de ajustes táticos, a comissão investe em palestras de concentração para resgatar o espírito de 2022, temporada na qual o Brasil fechou o ano com a melhor média defensiva do planeta.
Ancelotti mira também os atacantes para conter danos
Se as falhas de posicionamento são visíveis na última linha, Ancelotti entende que a raiz do problema começa bem mais à frente. O italiano cobra atitude dos homens de frente e vê a primeira barreira defensiva ruir quando a pressão inicial não funciona. A análise foi compartilhada publicamente logo após o tropeço contra os marroquinos.
“Tenho bastante claro o que temos que melhorar. O que fizemos bem nos dois amistosos, no primeiro tempo (contra Marrocos) não saiu bem. Temos que seguir trabalhando para ter uma equipe mais equilibrada e mais agressiva na frente.”, afirmou o treinador italiano.
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Na visão do técnico, o recuo prematuro dos pontas e a linha de marcação alta mal sincronizada têm facilitado o passe adversário entre linhas, expondo zagueiros e laterais em inferioridade numérica. A resposta imediata foi dedicar sessões específicas de pressing, buscando reduzir o tempo de posse rival antes de cruzar o meio-campo.
Análise: caminho para corrigir a instabilidade
A estatística de seis jogos sofrendo gols ultrapassa a mera curiosidade numérica; ela mexe na confiança de um grupo acostumado a lidar com pressão continental, mas que sente o peso extra de um Mundial. Ao responsabilizar também o setor ofensivo, Ancelotti tenta diluir a culpa e reforçar a ideia de bloco compacto, estratégia usada por campeões recentes para dominar torneios de tiro curto.
Resta saber se o ajuste virá a tempo. A fase de grupos costuma ser terreno fértil para lições rápidas, porém a margem de manobra encolhe a cada tropeço. O passado recente mostra que falhas pontuais podem custar campanhas inteiras — lição que a CBF conhece bem desde a queda para a Bélgica, ainda viva na memória coletiva.
O que você acha? A Seleção conseguirá reencontrar a solidez antes do mata-mata? Para acompanhar mais análises da Amarelinha, acesse nossa cobertura completa.


