Organizada do Bahia exige saída de Ceni após nova frustração

Bahia — A crise ganhou contornos explosivos em Salvador depois que a torcida organizada Bamor Nova Era divulgou um duro comunicado pedindo a demissão imediata de Rogério Ceni, horas após a eliminação para o Remo na Copa do Brasil e uma sequência de seis partidas sem vitória.

  • Em resumo: Bamor afirma que o “ciclo acabou” e cobra reação à queda na Copa do Brasil.
  • Pressão aumenta com elenco caro e promessa de novo patamar ainda não cumprida.

Torcida eleva o tom após queda na Copa do Brasil

A derrota para o clube paraense encerrou a participação tricolor no torneio nacional e, segundo dados da própria Confederação Brasileira de Futebol, interrompeu a possibilidade de arrecadar premiações milionárias que poderiam reforçar o caixa do clube.

Sem vencer há seis jogos, o Bahia vê crescer a distância entre o investimento feito após a SAF e o rendimento em campo. A Bamor Nova Era transformou esse descompasso em protesto público, sinalizando que a paciência de parte significativa da arquibancada chegou ao limite.

“Exigimos imediatamente a saída de Rogério Ceni do comando técnico do Bahia. O ciclo acabou. O que vemos é um time perdido, sem personalidade, sem poder de reação e acumulando vexames, trazendo prejuízos irreparáveis para a temporada e jogando no lixo mais um ano de expectativa do torcedor”

A primeira parte da nota expõe a avaliação da organizada de que o trabalho de Ceni perdeu o rumo. Ao vincular falhas de atitude a prejuízos “irreparáveis”, o texto eleva a discussão de mero resultado esportivo para risco real ao planejamento anual do clube.

Sequência sem vitórias e planejamento em xeque

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O protesto também fustiga o discurso de evolução apresentado pela diretoria e pela comissão técnica desde a virada para a SAF. A pressão não se limita à eliminação: ela se apoia na percepção de que o Bahia, mesmo figurando na parte de cima da tabela, ainda não entregou conquistas compatíveis com o investimento.

“Nos momentos decisivos, o roteiro é sempre o mesmo: o time perde a linha, desaprende a jogar bola, entra em campo sem coragem e termina eliminado. Isso vem se repetindo ano após ano. Desde a chegada da atual comissão, venderam discurso e promessas de mudança de patamar, mas a realidade é que seguimos sem ganhar absolutamente NADA além do que já conquistamos antes da SAF. Deixamos claro: não nos contentamos com estadual ou regional para maquiar fracasso. Pelo tamanho do Bahia, isso é obrigação, não conquista histórica” “Que ninguém ache que apenas frequentar a primeira parte da tabela vai gerar aplauso ou satisfação. O nível de cobrança subiu junto com o investimento e com o patamar que tanto prometeram. Se não conseguem suportar a pressão, tenham hombridade para assumir o fracasso e pedir para sair. O torcedor cansou de aceitar desculpas esfarrapadas enquanto vê um elenco caro, acomodado e sem ambição”

A íntegra reforça a ideia de que as expectativas internas foram ampliadas pela chegada da SAF. Ao citar “elenco caro” e “pressão”, a organizada sustenta que os resultados atuais não justificam o orçamento, levantando dúvida sobre a capacidade da gestão de capitalizar o novo modelo de negócios.

Análise: tensão entre projeto SAF e cobrança das arquibancadas

O Bahia vive o desafio clássico de clubes que se transformam em SAF: investimento rápido cria a sensação de que resultados também virão sem intervalo de adaptação. Quando o retorno esportivo não acompanha o aporte, a crítica se volta não apenas ao técnico, mas ao projeto como um todo.

Nesse cenário, a diretoria precisa decidir se banca Ceni com respaldo público — mostrando dados de desempenho e meta de curto prazo — ou se opta por mudança a fim de preservar a narrativa de crescimento. Qualquer hesitação pode ser interpretada como desalinhamento entre promessa financeira e entrega dentro de campo.

O que você acha? A permanência de Rogério Ceni é sustentável ou a saída virou caminho inevitável? Para acompanhar mais análises do Brasileirão, visite nossa editoria especial.


Catarina Reis trabalha nos bastidores da Tribuna Futebol, acompanhando tendências, dados e os assuntos mais buscados pelos torcedores. Seu papel é identificar quais temas estão em alta e apoiar a equipe com informações que ajudem a produzir conteúdos relevantes e atualizados. Está sempre de olho no que está acontecendo dentro e fora de campo, ajudando a direcionar as pautas do site.