Botafogo — A queda diante da Chapecoense por 2 a 0, que selou a despedida alvinegra da Copa do Brasil de 2026, reacendeu o debate tático no clube carioca e fez o técnico interino Franclim Carvalho admitir publicamente que “foi demasiado” pedir a Danilo para atuar tão recuado no primeiro tempo.
- Em resumo: Franclim reconheceu que o recuo de Danilo desorganizou o meio-campo e só foi ajustado no intervalo.
- Mesmo com a vantagem do jogo de ida, o Botafogo não resistiu e caiu antes das oitavas.
Escolha tática sob fogo
Na saída da Arena Condá, Franclim detalhou a lógica que o levou a posicionar o meio-campista mais perto dos zagueiros, buscando superioridade numérica na saída de bola. A ideia, porém, teve efeito contrário: o Botafogo perdeu agressividade, deu espaço para a Chapecoense contra-atacar e viu a vantagem de 1 a 0 construída no Nilton Santos virar fumaça. De acordo com o regulamento da Copa do Brasil, gol fora não é critério de desempate, o que tornou a derrota simples suficiente para a classificação catarinense.
No vestiário, o treinador ouviu cobranças de atletas pelo excesso de cautela. Com o meio encurtado, o time ficou sem o “homem de ligação” que normalmente acelera a transição ofensiva — função que Danilo costuma exercer quando joga mais solto.
“Nós jogamos com dois volantes. Nós podemos ter um volante que cresce mais e outro mais fixo. Normalmente o Medina fica mais, quando jogam os dois, o Danilo cresce mais. Pelas características, pela chegada e pelo ímpeto que o Danilo tem, nós sabemos que ele aparece bem naquele espaço. Quando construímos a três, há um volante que tem que estar mais baixo com os zagueiros”.
O trecho da entrevista escancara que a comissão técnica imaginava alternância entre Danilo e Medina, mas a execução não saiu conforme o plano; faltou coordenação para definir quem ficaria e quem avançaria.
Correção tardia e sequência afetada
Alertado ainda no intervalo, Danilo voltou do vestiário avançando mais pelo corredor central. O ajuste melhorou a circulação da bola, mas o relógio já jogava contra: os catarinenses, empurrados pela torcida, fecharam linhas e exploraram a ansiedade alvinegra.
“Hoje, no primeiro tempo, foi em demasia o Danilo. Apenas isso. Eles têm liberdade para ser um ou outro, hoje foi demasiado o Danilo. Falei disso no final do primeiro tempo, no intervalo. No segundo tempo, corrigiu. Se calhar, no segundo tempo até ia mais alto, ou muitas vezes mais alto, depois não era o homem de ligação e nós precisávamos daquele homem para ligar. É só isto que eu vos tenho a dizer”.
A declaração evidencia o caráter ajustável do plano de jogo, mas também reforça como detalhamento tático sem sintonia coletiva pode custar caro em mata-mata.
Análise: a lição que fica para o Botafogo
A eliminação pesa não apenas pelo prêmio financeiro perdido, mas pelo dano moral de ver uma Chapecoense recém derrotada por 4 a 1 no Brasileirão devolver o placar e avançar. O episódio sublinha a importância da tomada de decisão em tempo real: quando a equipe depende de vantagem mínima, qualquer recuo excessivo pode virar convite ao adversário. Além disso, a fala de Franclim realça a carência de um “plano B” consolidado, algo que o clube precisa endereçar antes da sequência da temporada.
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