Faixa das Malvinas põe Argentina sob risco de punição da FIFA

Argentina na Copa do Mundo — A exibição de uma faixa com a frase “As Malvinas são argentinas” logo após a vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, em Atlanta, colocou a seleção comandada por Lionel Scaloni na mira do Comitê Disciplinar da FIFA.

  • Em resumo: a entidade analisa se o ato fere a regra de neutralidade política imposta no torneio.
  • Punições vão de advertência financeira à perda de prêmios e até do título mundial.

FIFA vê violação do protocolo de neutralidade

Antes de a bola rolar, a federação internacional havia vetado qualquer menção ao conflito de 1982 entre Argentina e Reino Unido. Ao fim da partida transmitida pela Band, porém, vários jogadores levantaram a faixa polêmica em pleno gramado. De acordo com o regulamento disciplinar da entidade, manifestações políticas em jogos oficiais configuram infração passível de sanção.

O Comitê Disciplinar já solicitou relatórios do trio de arbitragem, do delegado da partida e do supervisor de segurança. Apenas depois dessa triagem os dirigentes decidirão qual dispositivo do código será aplicado aos campeões mundiais de 2022.

“Como é procedimento padrão, o Comitê Disciplinar independente da FIFA está analisando os relatórios da partida e avaliando as circunstâncias relevantes antes de decidir sobre possíveis medidas adicionais, com base no Código Disciplinar da FIFA”.

A nota deixa claro que ainda não há punição definida, mas confirma que o episódio foi enquadrado como potencial quebra das normas de conduta.

Multa pode dobrar em caso de reincidência

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O estatuto prevê sanções progressivas para gestos políticos. Casos classificados como leves começam em cerca de R$ 31 mil; se considerados graves, sobem a R$ 62 mil, com possibilidade de duplicação em reincidências. Há também punições esportivas: devolução de prêmios em dinheiro, perda de pontos ou até anulação de resultados, algo raríssimo, mas presente no texto oficial.

A responsabilidade da AFA não se limita aos atletas. Torcedores argentinos abafaram o hino britânico com o coro “quem não pula é inglês”. Esse comportamento, se relatado pela organização, pode render nova multa — R$ 31 mil na primeira infração e R$ 47 mil na segunda, com valores dobrados a partir da terceira.

Análise: peso histórico amplia a tensão

A disputa pelas Ilhas Malvinas, administradas pelo Reino Unido desde 1833, soma quase dois séculos de tensão diplomática. O conflito armado de 1982, com 907 mortos, tornou o tema uma questão de identidade nacional argentina. Quando atletas levam esse debate para o palco global da Copa, o gesto transcende o futebol e pressiona a FIFA a reagir para não abrir precedente.

Em contexto de polarização mundial, a entidade tenta preservar o torneio como espaço neutro. Qualquer decisão branda pode ser vista como aval a outras manifestações políticas em campo, enquanto uma medida dura, como a perda de pontos, abriria crise sem precedentes entre Zurique e Buenos Aires.

No momento, a delegação argentina mantém a preparação para a final, confiante em evitar penalidades severas. Mas o inquérito corre em ritmo acelerado, e o veredicto tende a sair antes do jogo decisivo.

O que você acha? A FIFA deve aplicar uma punição pesada ou limitar-se a multa? Para acompanhar tudo sobre o Mundial, acesse nossa cobertura completa.


Paulo dos Santos acompanha futebol desde criança, hábito que começou assistindo aos jogos com a família e se manteve ao longo dos anos. Com o tempo, passou a escrever sobre partidas, analisando escalações, desempenho dos times e os principais momentos de cada rodada. Na Tribuna Futebol, produz conteúdos sobre jogos nacionais e internacionais, sempre buscando explicar o que aconteceu em campo de forma simples e objetiva para o leitor.