Flamengo — Em uma postura que reforça a política de valorização de suas revelações, o clube da Gávea recusou oferta de 10 milhões de euros (cerca de R$ 58 milhões) apresentada pelo Grupo City para contratar o zagueiro João Victor, de apenas 19 anos.
- Em resumo: diretoria rubro-negra entendeu que o valor não reflete o potencial de longo prazo do defensor.
- A holding multinacional pretendia lapidar o atleta na Europa antes de um salto maior.
Bastidores da proposta do Grupo City
A investida partiu de executivos responsáveis por garimpar talentos sul-americanos para o conglomerado que controla clubes em diversas ligas. De acordo com o ge, a ideia inicial era integrar João Victor a uma equipe de médio porte da rede, acelerar sua adaptação ao futebol europeu e, em seguida, projetá-lo para um estágio mais alto do mercado continental. Essa metodologia, já testada com sucesso em outras joias reveladas no Brasil, vem se tornando um selo do modelo multinacional de captação do grupo.
Mesmo diante da cifra milionária, a diretoria do Flamengo concluiu que o retorno esportivo e financeiro futuro pode ser significativamente maior se o zagueiro amadurecer primeiro no elenco principal. A avaliação interna é de que o defensor reúne atributos raros — boa saída de bola, leitura de jogo e liderança — em uma idade em que ainda pode evoluir exponencialmente.
Confiança rubro-negra no potencial do defensor
João Victor ganhou protagonismo na recente intertemporada em Portugal ao ser titular em todas as partidas disputadas sob o comando de Leonardo Jardim. O desempenho chamou atenção pela solidez na marcação e pela tranquilidade para iniciar construções ofensivas, fatores que reforçaram a convicção de que ele está pronto para ganhar minutos em jogos de maior exigência no calendário nacional.
O zagueiro também carrega no currículo a faixa de capitão da Seleção Brasileira sub-20, que buscará vaga na Copa do Mundo da categoria no Sul-Americano de 2027. Essa liderança precoce é vista na Gávea como evidência de personalidade e maturidade acima da média, qualidades essenciais para transformar promessas em titulares indiscutíveis.
Histórico de ofertas rejeitadas pelo Flamengo
A recusa ao Grupo City não foi um ponto fora da curva. Em 2025, o Ajax tentou levar o mesmo atleta por 8 milhões de euros (R$ 51 milhões na cotação da época) e também ouviu um “não”. À época, João Victor vivia momento de maior contestação técnica, mas o clube optou por mantê-lo, convencido de que a oscilação fazia parte do processo formativo.
Desde então, o defensor superou barreiras físicas, incrementou o repertório de passes e já soma 14 partidas com a camisa profissional. Cada minuto em campo amplia a vitrine e, por consequência, o preço. Dirigentes destacam que a meta é criar ambiente de alta competitividade para que ele atinja o auge vestindo rubro-negro, multiplicando o valor de mercado no médio prazo.
Análise: multiclubes europeus x modelo de formação brasileiro
A disputa pelos direitos de João Victor simboliza o choque entre duas culturas de negócio. De um lado, conglomerados como o Grupo City compram atletas ainda em formação, espalham-nos por filiais e revendem a cifras elevadas depois de lapidar aspectos técnicos e de marketing. Do outro, clubes como o Flamengo buscam colher frutos esportivos antes de qualquer negociação definitiva, confiantes de que o retorno financeiro será proporcional ao amadurecimento vivido em casa.
Com as vendas recentes de jovens por valores recordes, o Rubro-Negro consolidou-se como vitrine premium para o mercado europeu. Proteger ativos estratégicos, portanto, é também reforçar sua imagem de potência formadora num cenário em que as regras de fair play financeiro apertam e obrigam gigantes do Velho Continente a mirar talentos cada vez mais cedo na América do Sul.
O que você acha? O Flamengo acerta ao segurar João Victor ou deveria aproveitar a janela atual? Para acompanhar mais novidades do mercado da bola, acesse nossa cobertura completa.


