FIFA — A entidade máxima do futebol encara um processo bilionário nos Estados Unidos, movido por um torcedor iraniano indignado com a eliminação da seleção persa na fase de grupos da Copa do Mundo.
- Em resumo: Ação cobra US$ 1 bi por suposto erro intencional do VAR contra o Irã.
- Pedido quer representar 91 milhões de iranianos afetados emocionalmente.
Gol anulado vira batalha judicial
O cientista político Lotfolah Kaveh Afrasiabi protocolou a ação em um tribunal federal de Boston, acusando a FIFA, o presidente Gianni Infantino e outros dirigentes de má conduta deliberada. Ele contesta a revisão do VAR que impediu o gol do zagueiro Shoja Khalilzadeh no empate por 1 a 1 com o Egito, resultado que determinou a eliminação iraniana.
A partida, disputada em 26 de junho, marcou a estreia dos egípcios no mata-mata e encerrou precocemente a campanha do Irã. Para Afrasiabi, a decisão representou preconceito institucional e feriu a integridade esportiva do torneio.
“Se eu acabar com jurados justos, eles podem até considerar um valor maior por causa do quão errada foi a má conduta da Fifa neste caso”.
Na declaração ao jornal britânico The Independent, o torcedor-advogado indica que a indenização solicitada — algo em torno de R$ 5,2 bilhões — pode subir, caso o júri reconheça dolo da entidade no lance revisado.
Ação coletiva por trauma emocional
Afrasiabi requereu que o processo tenha status de ação coletiva, alegando defender cerca de 91 milhões de cidadãos iranianos e irano-americanos. O argumento central é o “profundo abalo psicológico” causado pela desclassificação repentina, que teria minado o orgulho nacional ligado ao desempenho na Copa.
“A queda da seleção no torneio causou um profundo abalo psicológico e emocional”.
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O trecho do processo reforça a tentativa de dimensionar o impacto social da decisão de arbitragem, buscando respaldo para elevar a quantia indenizatória e dar amplitude internacional ao caso.
Análise: o VAR no banco dos réus
Embora ainda não haja resposta oficial da FIFA, o caso ilustra a escalada de pressões jurídicas sobre decisões de vídeo-arbitragem. A tecnologia, criada para reduzir erros humanos, tornou-se alvo de disputas que extrapolam o campo, envolvendo acusações de preconceito e manipulação.
Se o tribunal aceitar o pedido de ação coletiva, o futebol pode assistir a um precedente sem paralelo: torcedores processando a entidade por danos morais globais decorrentes de um único lance. Isso ampliaria o debate sobre transparência, padrões de revisão e responsabilidade civil nas competições internacionais.
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