Vasco — Em entrevista que agitou os bastidores do futebol brasileiro, o empresário José Roberto Lamacchia revelou que a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, poderá assumir um cargo em São Januário assim que concluir seu mandato no clube alviverde.
- Em resumo: Leila só discutirá qualquer função no Vasco depois de encerrar seus compromissos com o Palmeiras.
- Família Lamacchia mantém interesse na compra da SAF cruz-maltina, mas depende do projeto liderado por Pedrinho.
Dedicação total ao Palmeiras antes de qualquer mudança
Lamacchia fez questão de frisar que, no momento, Leila permanece “200%” focada na administração palmeirense. Segundo ele, qualquer debate sobre participação no Vasco é assunto para o futuro, quando a dirigente já não tiver vínculo formal com o clube paulista. O empresário reforçou que não existe “qualquer possibilidade de envolvimento neste momento”, preservando a integridade institucional de ambas as agremiações.
A declaração ecoa entre conselheiros e torcedores, pois indica que a líder responsável por uma das gestões financeiras mais sólidas do país pode, em médio prazo, levar sua experiência de governança a um time historicamente carente de estabilidade fora de campo. Em cenário de constantes debates sobre profissionalização, a sinalização de Lamacchia cria expectativa na Colina e inquieta rivais diretos.
“Ela pode ajudar o Vasco. Pode ser que sim, pode ser que não, são coisas para o futuro. Mas tudo isso, claro, depois que ela terminar o mandato no Palmeiras, aí já não vai ter mais nenhum vínculo com o Palmeiras. Ela não pode participar disso porque está envolvida 200% no Palmeiras.”
A fala traduz a estratégia dual do empresário: manter a imagem de Leila blindada durante o ciclo atual no Allianz Parque, mas abrir uma janela pública para negociações a partir do momento em que a presidente estiver livre de obrigações formais.
Família Lamacchia mantém apetite pela SAF vascaína
Além da possível chegada de Leila, o grupo negocia a compra da Sociedade Anônima do Futebol cruz-maltina. Lamacchia destacou que oferece garantias financeiras robustas para o plano de investimento liderado por seu filho, Marcos Lamacchia. O objetivo, de acordo com o empresário, é aportar capital capaz de acelerar a reestruturação da dívida e potencializar receitas em São Januário.
Contudo, a operação enfrenta entraves jurídicos: a Justiça do Rio de Janeiro afastou Pedrinho da presidência da SAF, decisão que, na visão de Lamacchia, atrasa tratativas e adiciona incertezas a um modelo que já exige amplo respaldo regulatório. Ainda assim, ele assegura que a família não recuou do projeto e segue pronta para formalizar a oferta quando o cenário for clarificado.
No âmbito esportivo, a Confederação Brasileira de Futebol destaca que casos de transição para SAF demandam análise rígida de governança e capacidade de aporte — prerrogativas que, segundo o empresário, estão devidamente asseguradas pelo grupo.
Análise: o peso político de uma eventual migração
A possibilidade de Leila Pereira trocar um clube de São Paulo pelo comando de um gigante carioca transcende o plano administrativo. No atual contexto de SAFs, a dirigente carrega alto valor simbólico: reconhecida pelo aporte direto via Crefisa no Palmeiras, ela se tornaria um dos poucos nomes com histórico de sucesso financeiro em duas praças distintas do país.
Além disso, a movimentação envolve rivalidades extracampos. Críticas recentes do presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, mostram o quanto a eventual entrada de Leila no Vasco pode deslocar forças políticas no Rio e, por consequência, no Conselho Técnico da Série A. O tema tende a ganhar força conforme se aproximar o fim do mandato dela no Palmeiras.
Com o mercado em ebulição, resta saber se a combinação de capital privado e know-how de gestão se traduzirá em vantagens competitivas para o Vasco. O assunto seguirá no radar, assim como outros capítulos do Brasileirão narrados em nossa editoria dedicada.
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