Cruzeiro — A diretoria celeste liberou o volante Walace por empréstimo ao Vitória até o fim da temporada, movimento que evidencia os bastidores conturbados na Toca II e marca uma nova tentativa de salvar um investimento milionário.
- Em resumo: jogador foi afastado por indisciplina e agora buscará minutos em Salvador.
- Raposa continuará arcando com 100% dos salários, sinal da dificuldade para negociá-lo em definitivo.
De aposta de €6 mi a problema no vestiário
Contratado em 2024 com status de titular absoluto, Walace nunca correspondeu às expectativas técnicas nem ao alto aporte de 6 milhões de euros — cerca de R$ 36 milhões na cotação da época. Desde abril, ele treinava separado dos companheiros por questões disciplinares, sendo a principal delas uma mensagem vazada na qual criticava o goleiro Matheus Cunha.
A ruptura tornou-se pública e desagradou comissão técnica, elenco e dirigentes. O resultado foi a busca acelerada por um destino temporário, selada na última segunda-feira com o acerto junto ao Vitória. Segundo a apuração divulgada inicialmente pelo jornalista Heverton Guimarães, o vínculo de empréstimo vai até dezembro, sem opção automática de compra.
Empate financeiro: Cruzeiro paga, Vitória recebe
Mesmo cedido, Walace continuará pesando na folha salarial do Cruzeiro: o clube mineiro assumiu o compromisso de honrar integralmente os vencimentos do atleta. A estratégia, embora onerosa, pretende recolocá-lo em evidência para uma venda futura que recupere parte do investimento. Caso retorne valorizado, ainda há contrato até dezembro de 2028 para ser cumprido — ou negociado.
No Vitória, que luta para consolidar seu elenco na elite nacional, o volante terá a chance de atuar com regularidade e provar que pode voltar a render em alto nível. A expectativa é que o ambiente em Salvador, distante das pressões de Belo Horizonte, ajude na retomada de confiança. O empréstimo já aparece no Boletim Informativo Diário da Confederação Brasileira de Futebol, oficializando a mudança de ares.
Análise: gestão de crises e efeitos colaterais no elenco
O caso Walace confirma a dificuldade do Cruzeiro em lidar com contratações de alto custo que não encaixam tecnicamente ou se envolvem em conflitos internos. Ao manter 100% do salário do volante, o clube sinaliza urgência para estancar ruídos no elenco, mesmo sacrificando o caixa a curto prazo. A medida também serve de recado disciplinar: comportamento fora do padrão não terá espaço, ainda que imponha ônus financeiro.
Para o Vitória, trata-se de uma oportunidade de mercado sem risco econômico direto. Se o jogador render, o clube baiano ganha um reforço de qualidade; se não render, basta devolvê-lo ao fim do contrato. Essa assimetria mostra como crises em grandes centros podem beneficiar equipes que buscam peças experientes a baixo custo.
O que você acha? Walace conseguirá reencontrar bom futebol no Vitória ou o Cruzeiro assumiu um prejuízo definitivo? Para acompanhar mais movimentações de mercado, visite nossa editoria do Brasileirão.


