Seleção Brasileira — Em participação no programa “The Rest Is Football”, disponível na Netflix, o ex-volante Patrick Vieira afirmou que o atual elenco canarinho não apresenta força coletiva suficiente para conquistar a próxima Copa do Mundo.
- Em resumo: Vieira vê França, Argentina e Inglaterra acima do Brasil no Mundial.
- Para ele, falta velocidade, potência e entrosamento ao time comandado por Carlo Ancelotti.
Vieira coloca França e Argentina à frente do Brasil
Campeão mundial em 1998 e figura histórica do Arsenal, Patrick Vieira não economizou nas palavras ao analisar o cenário da Copa do Mundo. Na entrevista, o francês destacou que sua seleção aparece um degrau acima das demais, acompanhada de Argentina e Inglaterra — deixando o Brasil fora do trio de favoritos. O comentário ganha peso especialmente porque, segundo estatísticas da própria FIFA, as cinco estrelas brasileiras sempre colocam o país no radar dos principais candidatos.
Vieira justificou sua avaliação dizendo que não enxerga coesão no time brasileiro e que os resultados recentes ainda não demonstram evolução capaz de ameaçar as grandes potências europeias e sul-americana.
“Acho que eles estão atrás da Argentina, atrás da França, atrás da Inglaterra. Não acho que eles tenham o suficiente para ganhar a Copa do Mundo. Talvez, nos próximos jogos, eles engrenem e fiquem mais fortes. Mas eu não vejo um time, jogando bem em conjunto.”
A declaração repercutiu rapidamente entre analistas, pois reforça uma crítica recorrente: a dificuldade de transformar o enorme talento individual brasileiro em performance coletiva consistente, algo que pesou nas últimas campanhas mundiais.
Velocidade e entrosamento em xeque
Ao detalhar as carências que observa na equipe, Vieira foi direto. Segundo ele, a ausência de um jogo veloz e potente limita o Brasil, sobretudo se o time perder peças capazes de quebrar linhas, caso de Raphinha, lesionado contra a Escócia e fora até as quartas de final.
“Acho que, com exceção do Vinicius, nesse time falta velocidade, potência, especialmente se perderem o Raphinha. Acho que tem alguma coisa que não está entrosada ainda. Pode ser que venha depois, mas não estou convencido pelos dois primeiros jogos.”
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O reconhecimento a Vinicius Jr. como exceção confirma o peso que o atacante do Real Madrid assumiu dentro do elenco. Ao mesmo tempo, o alerta sobre entrosamento ecoa a crítica de que o ciclo até o Mundial foi marcado por trocas frequentes de comando técnico, algo que interrompe processos de jogo e dificulta a criação de uma identidade clara.
Análise: queda de protagonismo brasileiro
As falas de Patrick Vieira expõem uma percepção que vai além do palpite individual: desde 2002, o Brasil não ergue a taça e tem enfrentado eliminações precoces em fases decisivas. A discrepância entre a qualidade de seus atletas e o rendimento em confrontos de alto nível sugere um descompasso estrutural. Mudanças contínuas na comissão técnica, ausência de um projeto de longo prazo e a adaptação a um calendário cada vez mais exigente contribuem para o questionamento de ex-campeões como Vieira.
Enquanto rivais como França e Argentina consolidam projetos de base e mantêm um núcleo de jogadores ao redor do mesmo treinador, o Brasil ainda busca estabilidade. A essência da crítica, portanto, mira na necessidade de transformar talento bruto em mecanismo coletivo — condição indispensável para encarar seleções que evoluíram taticamente.
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