Cruzeiro — Em conversa com Kaká no programa Resenha do 9, Ronaldo Nazário contou que a profissionalização da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) celeste gerou resistência interna e até ameaças enquanto ele comandava o clube mineiro.
- Em resumo: Fenômeno diz ter criado inimigos ao cortar privilégios dentro do Cruzeiro.
- Também criticou protestos violentos que marcaram sua passagem pela Raposa.
Corte de privilégios rachou bastidores celestes
Ronaldo destacou que, ao assumir a SAF em dezembro de 2021, precisou enxugar despesas e interromper práticas que beneficiavam grupos específicos, gesto que provocou fortes reações nos corredores da Toca da Raposa. Reportagens da ESPN apontam que o ex-atacante revisou contratos, reduziu folhas salariais e renegociou dívidas consideradas impagáveis.
Nesse processo, ele afirma ter rompido com figuras acostumadas ao modelo associativo tradicional, no qual conselheiros e intermediários exerciam influência direta sobre as decisões financeiras e esportivas.
“O modelo associativo é feito para muita gente mamar na teta do clube e só resolve isso cortando tudo. Vivi isso no Cruzeiro e ganhei vários inimigos”.
A fala explicita o conflito entre a gestão empresarial que Ronaldo tentou implementar e os interesses arraigados de quem lucrava com a antiga estrutura, evidenciando que a transição para SAFs passa, antes de tudo, por uma mudança cultural dentro dos clubes.
Crítica à violência dos protestos de torcedores
Além das disputas administrativas, Ronaldo lembrou episódios em que torcedores invadiram o centro de treinamento para cobrar resultados, atitude que se repetiu em diferentes momentos da campanha celeste. Para ele, esse tipo de pressão extrapola os limites do aceitável e coloca em risco qualquer projeto de modernização.
“Depois da experiência com o Cruzeiro… o torcedor confunde as coisas com desempenho esportivo. O torcedor não tem o direito de te atacar, invadir CT… A nossa imprensa normalizou. É um absurdo e isso me dá muito medo.”
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O ex-jogador acredita que a normalização da violência afasta investidores, gera insegurança em atletas e profissionais e impede a consolidação de modelos de gestão mais sustentáveis no futebol brasileiro.
Análise: resistência à profissionalização
As declarações de Ronaldo expõem o choque entre o modelo empresarial das SAFs e o ambiente político dos clubes associativos. Cortes de gastos, transparência e controle rígido de despesas atingem conselheiros, fornecedores e até atletas acostumados a práticas pouco profissionais, o que naturalmente gera oposição.
Somado a isso, a tolerância a protestos violentos cria um clima de instabilidade que encarece investimentos e dificulta planos de longo prazo. Enquanto não houver segurança para gestores e elencos, a profissionalização pretendida pelas SAFs corre o risco de estagnar.
O que você acha? Medidas impopulares são o preço da modernização ou a torcida tem razão nas cobranças? Para acompanhar mais, acesse nossa cobertura completa.


