Matheus Nunes justifica opção por Portugal e agita debate

Matheus Nunes — O volante do Manchester City, criado no futebol português, voltou a explicar por que recusou a convocação de Tite e escolheu vestir a camisa de Portugal na Copa do Mundo de 2026, reacesándo a discussão sobre identidade e gratidão no esporte.

  • Em resumo: Jogador diz que “deve mais” à formação em Portugal do que ao Brasil.
  • Decisão, tomada ainda em 2021, mantém o debate sobre perdas de talentos da Seleção.

Gratidão a Portugal pautou a escolha

O meio-campista nasceu no Rio de Janeiro, mas fez toda a transição da base ao profissional no futebol português. Aos jornalistas, reforçou que reconhece a importância do país europeu em sua carreira e, por isso, sentiu-se no dever de retribuir dentro de campo. Segundo publicação disponível no site oficial da Fifa, Portugal aposta em naturalizados de origem brasileira para aumentar a competitividade em Mundiais.

Em 2021, quando Tite o incluiu na lista da Seleção Brasileira, Matheus já tinha convicção de que queria defender a equipe comandada, à época, por Fernando Santos. A recusa surpreendeu o staff da CBF, mas não representou ruptura com as raízes: o atleta mantém forte ligação cultural com o Brasil, visitando o país sempre que possível.

“Estamos representando nosso país, jogando para 10 milhões de pessoas. O sentimento é de orgulho. Seria ótimo sair com o título, mas, se não conseguirmos, saberemos que demos tudo de nós. Uma final contra o Brasil, para mim, seria especial, mas seja o que Deus quiser. Quero estar lá. Todos sabem que seria diferente para mim, mas o importante é ser campeão”.

A declaração mostra que o duelo contra a antiga seleção “de coração” não é descartado, mas o foco do atleta permanece na conquista inédita do troféu mundial para Portugal.

Vínculo com o Brasil permanece

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Apesar da escolha pela Seleção das Quinas, Matheus reforçou que não rompeu laços afetivos com o país natal. Ele continua consumindo cultura brasileira e visita a família sempre que o calendário europeu permite. Ao lembrar que nunca chegou a ser registrado na CBF como atleta profissional, ele apontou esse detalhe burocrático como mais um indicativo de que a carreira tomou destino português desde cedo.

“Foi difícil tomar a decisão (de jogar por Portugal), porque me sinto ligado aos dois países. No futebol, devo mais a Portugal do que ao Brasil. Foi lá que passei o período em que comecei a jogar profissionalmente, nunca fui registrado na CBF. Estou muito orgulhoso de ter escolhido Portugal”.

O relato evidencia a dualidade emocional de quem nasceu em um país e se formou em outro, mas também reforça o argumento de gratidão profissional — ponto central ao justificar a negativa a Tite.

Análise: impacto na Seleção Brasileira

A postura de Matheus Nunes reforça um padrão cada vez mais comum: jogadores que crescem em solo europeu acabam integrando seleções que lhes deram oportunidade antes da CBF. O caso expõe dificuldades estruturais do futebol brasileiro em monitorar e integrar talentos que deixam o país ainda nas categorias de base.

Além disso, a justificativa de “dívida futebolística” sugere que o fator emocional pesa tanto quanto a perspectiva esportiva. Para a Seleção, perder um volante em ascensão no Manchester City não chega a ser crise, mas liga o alerta sobre futuras promessas que podem seguir o mesmo caminho.

O que você acha? A Seleção deve intensificar o acompanhamento de brasileiros formados no exterior? Para acompanhar mais, acesse nossa cobertura completa.


Julia Caroline começou a escrever sobre futebol ainda na escola, quando comentava jogos e dividia opiniões em blogs e redes sociais. O interesse virou rotina, e ela passou a acompanhar partidas diariamente, sempre atenta aos detalhes que fazem diferença para o torcedor. Hoje, na Tribuna Futebol, escreve sobre jogos do dia, horários, escalações e onde assistir, com uma linguagem direta e fácil de acompanhar. Torcedora do Flamengo, raramente perde uma rodada importante do futebol brasileiro.