Argélia — Às vésperas da Copa do Mundo de 2026, a seleção africana vive um clima de tensão fora de campo: dirigentes acusam uma emissora dos Estados Unidos de sobrevoar os treinos com um drone e divulgar imagens táticas sem autorização.
- Em resumo: TV local teria violado sigilo argelino filmando a atividade em Lawrence.
- Equipe norte-africana enfrenta a atual campeã Argentina na estreia do Grupo J.
Drone flagrado sobre a base argelina
De acordo com o jornal espanhol AS, a afilada norte-americana KMBC 9 foi responsável pelo voo não autorizado que expôs detalhes táticos do treino fechado. O episódio ocorreu em Lawrence, no Kansas, onde os argelinos cumprem preparação restrita desde o início da concentração. A suspeita de espionagem ganhou peso após as imagens irem ao ar em telejornal local, contrariando a postura de absoluto sigilo adotada pela comissão técnica.
O Código de Conduta da FIFA prevê responsabilidade dos organizadores para garantir ambientes de trabalho seguros às seleções, mas não contempla diretrizes específicas sobre drones em treinos. Essa lacuna alimenta o debate jurídico sobre eventuais punições.
“A Argélia é um adversário que não pressiona bem. Na defesa, eles ficam um pouco estáticos, dependendo muito dos contra-ataques.”
A avaliação é do goleiro boliviano Carlos Lampe, que enfrentou a equipe em amistoso de portões fechados. A fala reforça a impressão de que o sigilo argelino não impediu totalmente a circulação de informações estratégicas.
Calendário árduo no Grupo J
A Copa de 2026 marcará a quinta participação argelina em Mundiais — a primeira desde 2014, após ausências em 2018 e 2022. O sorteio colocou o país no mesmo grupo da Argentina, da Áustria e da Jordânia. Segundo a programação oficial, a estreia será justamente contra os atuais campeões, na terça-feira 16, às 22h (horário de Brasília). A seguir, a Argélia encara a Jordânia no dia 23, à meia-noite, e fecha a fase de grupos diante dos austríacos no dia 27, às 23h.
Embora não figure entre os favoritos, a seleção do Norte da África aposta na classificação em terceiro lugar como meta realista, cenário que torna cada detalhe de preparação — e, portanto, cada imagem vazada — potencialmente decisivo.
Análise: privacidade esportiva em xeque
O episódio reacende a discussão sobre o uso de tecnologia para coletar dados de rivais. Enquanto drones e filmagens em HD se popularizam, regulamentos ainda caminham atrás do avanço técnico. A ausência de regra explícita permite que emissoras aleguem interesse jornalístico, ao passo que comissões técnicas denunciam quebra de fair play. A depender do desfecho, a FIFA pode ser pressionada a atualizar o manual de boas práticas antes do início do torneio.
Além do aspecto esportivo, a situação coloca em xeque as relações entre federação, mídia e organizadores locais: se medidas não forem adotadas, outras seleções podem intensificar a blindagem e limitar ainda mais o acesso da imprensa, situação que contraria os objetivos de promoção do evento.
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