Corinthians — Em sua primeira declaração pública desde a rescisão contratual no início da temporada, o volante venezuelano José Martínez voltou a culpar o técnico Dorival Júnior pela própria saída e afirmou que pretende vestir novamente a camisa alvinegra quando estiver recuperado.
- Em resumo: Martínez diz que deixou o clube porque Dorival se recusou a ouvi-lo.
- Mesmo lesionado, o volante garante que toparia retornar ao Timão “a qualquer momento”.
Entrevista na ESPN reacende polêmica
A conversa foi ao ar no programa Fala Fonte, da ESPN, e trouxe detalhes até então desconhecidos sobre o imbróglio que culminou na rescisão do vínculo. Segundo Martínez, a relação com os companheiros era boa, mas faltou diálogo direto com o comandante. O tema ganhou novas cores porque, de acordo com o regulamento da CBF, qualquer atleta que rompe contrato durante a janela só pode se inscrever novamente em clubes brasileiros em períodos específicos — fator que pode atrasar um eventual retorno.
O venezuelano reforçou que apresentou documentos e tentou expor o problema à comissão técnica logo após voltar das férias, mas sentiu portas fechadas no CT Joaquim Grava.
“Quando cheguei ao Brasil, mostrei tudo para a comissão, os jogadores, tentei falar com o técnico, e ele não quis falar comigo. Não quis me escutar. Estou seguro de que saí da equipe por conta do técnico, porque tinha boa relação com os jogadores. Eu me apaixonei pelo Corinthians. É uma das melhores equipes em que joguei na vida”.
A fala corrobora a tese do atleta de que a ruptura não foi motivada apenas pela lesão grave no joelho, mas sobretudo pela falta de diálogo interno. Para a torcida, o depoimento reacende o debate sobre gestão de vestiário em um elenco que passa por reformulação.
Passaporte, lesão e futuro em aberto
Nesta temporada, Martínez atrasou-se na reapresentação por questões de passaporte — problema semelhante ao que havia vivido no ano anterior. O clube decidiu rescindir quando exames detectaram ruptura ligamentar que o deixará fora de combate até, pelo menos, a próxima temporada. Mesmo assim, ele mantém o discurso de que o desejo é vestir novamente a camisa alvinegra.
“Se eu cometi um erro, peço desculpas. Mas não foi minha intenção voltar tarde. Queria voltar o mais rápido possível, porque sabia da lesão que tinha e queria resolver isso. Se tenho que pedir desculpas, peço desculpas para toda a torcida. Se tiver que voltar para o Corinthians, volto, porque amo o Corinthians. Se voltar ao Brasil para jogar, estou à disposição para voltar”.
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O pedido de desculpas público busca reaproximá-lo da Fiel, mas não altera o fato de que o processo de recuperação exige meses de fisioterapia intensiva. Clubes interessados só poderão contar com o volante para a próxima temporada e terão de lidar com o histórico de ausências documentais.
Análise: confiança abalada entre jogador e comissão
As declarações de Martínez evidenciam um ponto crítico na relação atleta-comando técnico: a confiança mútua. Quando um jogador afirma que o treinador “não quis escutá-lo”, coloca em xeque não apenas a decisão de dispensá-lo, mas todo o processo interno de comunicação no departamento de futebol. Em momentos de reformulação de elenco, a percepção de que a palavra do atleta não encontra eco pode gerar insegurança e afetar a reputação da comissão técnica perante o grupo.
Para Dorival, que chegou ao clube com a missão de resgatar competitividade após temporada irregular, o episódio vira um teste de autoridade e transparência. Já para Martínez, a entrevista funciona como tentativa de recontar a própria narrativa, transferindo responsabilidade e mantendo portas abertas para o futuro.
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