Presidente do Vitória critica tombo milionário da SAF do Botafogo

Vitória — Em entrevista recente, o presidente Fábio Mota lamentou que a SAF do Botafogo tenha ingressado em recuperação judicial, movimento que, segundo ele, agrava um débito que o clube carioca já mantém com o Rubro-Negro baiano.

  • Em resumo: dirigente cobra R$ 1 milhão não pago pela venda de Lucas Halter.
  • Botafogo acumula passivo de R$ 9 milhões por Elkeson e soma duas filas de credores com o Vitória.

Recuperação judicial abre nova fila de credores

Mota explicou que a decisão da SAF do Botafogo de recorrer à Justiça muda a ordem de pagamento das dívidas, colocando o Vitória entre os novos credores que precisarão aguardar definição judicial. A manobra ocorre em meio a um endividamento geral de aproximadamente R$ 2 bilhões que, segundo o dirigente, já havia motivado uma recuperação na associação civil do clube carioca. O processo atual repete o roteiro, mas agora atinge diretamente a sociedade anônima de futebol.

A legislação brasileira prevê regras de fair play financeiro — detalhadas no regulamento da CBF — que tentam impedir que clubes beneficiados pela recuperação judicial obtenham vantagem esportiva sobre concorrentes sem honrar seus compromissos, ponto enfatizado por Mota ao classificar a situação como “zona” que precisava ser corrigida.

“Nós perdemos mais R$ 1 milhão com o Botafogo agora, de novo. Halter foi vendido, o Botafogo tinha que pagar R$ 1 milhão ao Vitória pela taxa de vitrine, pediu recuperação judicial”.

O desabafo ressalta a frustração do Vitória com um valor aguardado como receita de curto prazo. A chamada “taxa de vitrine” corresponde ao percentual devido ao clube formador quando o atleta é negociado para o exterior, instrumento importante para equipes fora do eixo Rio-São Paulo que contam com transferências para equilibrar o caixa.

Histórico de dívidas entre os clubes preocupa Vitória

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Não é a primeira vez que o clube baiano reclama de calote alvinegro. Mota recordou que o Botafogo já havia ficado devendo R$ 9 milhões relativos à venda de Elkeson, dívida que também entrou no primeiro processo de recuperação. Agora, com a SAF envolvida, o Vitória vê-se em duas filas distintas de credores: uma ligada à associação e outra à nova empresa, atrasando ainda mais qualquer perspectiva de recebimento.

“Não é que perdemos, vamos entrar na fila do crédito de novo. A gente tem duas filas de crédito do Botafogo, uma da associação e agora uma da SAF”.

A fala explicita o temor de que o clube tenha de esperar anos por valores já comprometidos no orçamento, enquanto a SAF do Botafogo tenta reorganizar seu fluxo de caixa sob supervisão judicial.

Análise: efeito cascata no futebol brasileiro

A queixa de Fábio Mota evidencia um problema recorrente: clubes de orçamento menor tornam-se reféns de dívidas de gigantes que, ao se reorganizarem, empurram pagamentos para o fim da fila. Com a profissionalização via SAF, esperava-se redução do risco, mas o caso Botafogo mostra que a formalização empresarial não garante adimplência imediata. A nova Lei da SAF prevê punições esportivas em cenários de inadimplência continuada, mas, até que sejam aplicadas, pequenos e médios clubes seguem arcando com o impacto direto no planejamento de suas temporadas.

O que você acha? A recuperação judicial deveria impedir o Botafogo de atuar no mercado até quitar dívidas com clubes formadores? Para acompanhar mais análises sobre finanças de clubes, acesse nossa cobertura completa.


Marcelo Freire trabalha com conteúdo digital há mais de uma década e lidera a equipe editorial da Tribuna Futebol. Ao longo da carreira, participou da criação e desenvolvimento de projetos online voltados à informação e entretenimento. No dia a dia, acompanha de perto tudo o que é publicado, revisando conteúdos e orientando a equipe para manter um padrão claro, confiável e alinhado com o que o leitor realmente busca quando procura informações sobre futebol.