Uruguai — Em entrevista veiculada pelo Canal 5 do país, o ex-zagueiro Diego Lugano voltou a contestar a contagem oficial da FIFA e defendeu que a Celeste já possui quatro títulos de Copa do Mundo, tese que reacende uma polêmica histórica no futebol sul-americano.
- Em resumo: Lugano inclui as Olimpíadas de 1924 e 1928 e o Mundialito de 1980-81 na lista de conquistas mundiais do Uruguai.
- A FIFA, porém, reconhece somente os troféus de 1930 e 1950 como Copas do Mundo.
Mundialito e Olimpíadas entram na conta de Lugano
O ídolo do São Paulo argumenta que, na época, as competições tinham formatos e nomes distintos, mas o peso histórico permaneceria o mesmo. Na visão dele, as vitórias olímpicas e a Copa de Ouro — apelido do Mundialito disputado em Montevidéu entre dezembro de 1980 e janeiro de 1981 — deveriam elevar o Uruguai à condição de tetracampeão. A posição contraria a lista oficial mantida pela entidade máxima do futebol, que só contabiliza os torneios de 1930 e 1950.
Para justificar, Lugano cita que o torneio comemorativo reuniu à época todas as seleções campeãs mundiais — com exceção da Inglaterra, substituída pela Holanda — e terminou com nova vitória uruguaia sobre o Brasil, repetindo o Maracanaço.
“A dúvida, como eu te dizia atrás das câmeras, é se nós temos quatro ou cinco [Copas]. O Mundialito de 80-81 talvez tenha sido a Copa do Mundo mais importante já disputada. Eu não sei quem discute isso. Vivo no Brasil, e não sei quem discute isso.”
A fala revela que o ex-capitão da Celeste considera o torneio comemorativo tão relevante quanto uma Copa oficial e estranha a resistência de parte da imprensa brasileira em reconhecer essa leitura.
FIFA mantém só dois títulos oficiais
Apesar do debate doméstico, a FIFA segue firme na posição de que as Olimpíadas de 1924 e 1928 não equivalem a Copas do Mundo, pois foram organizadas pelo Comitê Olímpico Internacional e obedeciam a regulamentos amadores. Da mesma forma, o Mundialito nunca foi homologado como competição oficial do órgão.
A divergência provoca confusão nos próprios torcedores: em alguns estádios do país, é comum ver faixas que celebram o “tetracampeonato”, enquanto materiais oficiais da seleção usam a terminologia “bicampeão mundial”.
“Eu com o São Paulo ganhei, em 2005, o primeiro Mundial de Clubes. O primeiro Mundial de Clubes se jogou em 2005, quando de fato estavam [times de] todos os continentes. Ou seja, antes disso… River, Boca, Racing, Independiente, Olimpia não têm Mundiais? Era outro torneio por que tinha outro nome?”
Nessa comparação, Lugano sugere que o reconhecimento de títulos não pode depender apenas da nomenclatura original do evento. Ele lembra que, antes de 2005, a Copa Intercontinental já apontava o “campeão mundial de clubes” apesar de não reunir todas as confederações, argumento que ampliaria o critério de validação também para seleções.
Análise: a batalha pelo reconhecimento histórico
A controvérsia expõe como as federações e a memória popular muitas vezes travam disputas distintas. Enquanto a FIFA se apoia na padronização de regulamentos para definir seus campeões, dirigentes e ex-jogadores uruguaios acionam o simbolismo de torneios anteriores para reforçar a tradição da Celeste. O impasse, portanto, vai além de mera estatística: envolve identidade nacional e a tentativa de preservar um legado construído antes da profissionalização plena do futebol.
O que você acha? As Olimpíadas de 1924 e 1928 e o Mundialito de 1980 deveriam contar como Copas do Mundo do Uruguai? Para acompanhar mais debates sobre títulos e história dos Mundiais, acesse nossa cobertura completa.

