Botafogo — A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou o áudio da cabine de vídeo que levou à anulação do cartão vermelho aplicado a Ademir, atacante do Bahia, em duelo válido pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro.
- Em resumo: diálogo mostra VAR apontando cobertura defensiva e sugerindo revisão ao árbitro de campo.
- Decisão reacende debate sobre prejuízo técnico sofrido pelo Botafogo na Fonte Nova.
VAR detecta cobertura defensiva e muda o rumo do jogo
Aos 37 minutos da primeira etapa, Ademir puxou Cristian Medina quando o meio-campista alvinegro avançava em direção ao gol. Em campo, o árbitro capixaba Davi de Oliveira Lacerda enxergou chance clara de gol e mostrou o cartão vermelho de forma imediata. Entretanto, a análise em múltiplos ângulos realizada pelo VAR gerou a recomendação formal de revisão.
No processo, o operador de vídeo Márcio Henrique de Gois buscou identificar se outro defensor tricolor teria tempo hábil para chegar na cobertura. A confirmação dessa possibilidade foi suficiente para alterar o enquadramento disciplinar do lance.
“Davi, eu recomendo uma revisão para você rever esse lance, ok? Por gentileza. Para um possível não cartão vermelho. Eu vou te mostrar a 2, Davi, o momento que encerra, que concretiza a infração, e depois eu vou te mostrar a 16/50 do outro lado para você ver a movimentação do outro defensor, ok? Eu vou te mostrar a 2 agora até finalizar a infração, ok?”
A fala evidencia a preocupação do VAR em apresentar imagens que comprovassem a presença de Rodrigo Nestor, apontado como potencial cobridor, antes da falta ser concluída.
Áudio reforça sensação de prejuízo alvinegro
Chamado ao monitor à beira do gramado, Davi de Oliveira Lacerda reviu a jogada e concluiu que havia cobertura do Bahia. Dessa forma, rebaixou o vermelho a amarelo e manteve apenas a cobrança de falta para o Botafogo.
“Não, tem cobertura. Nessa câmera para mim é claro, tem cobertura. É porque, para mim, no momento da falta, esse atleta não chegaria ali, mas é nítido que o companheiro dele chegaria. Estou revogando o cartão vermelho e voltando com cartão amarelo. O tiro livre está mantido, ok?”
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A reversão mudou o cenário tático: o time tricolor permaneceu com onze jogadores, fator que, na avaliação dos botafoguenses, pesou para o resultado final de 2 a 1.
Análise: transparência que não elimina a controvérsia
A divulgação dos áudios atende a uma diretriz recente da CBF de oferecer mais transparência ao público. Contudo, a medida não impede questionamentos: ao expor a dúvida na cabine, a entidade alimenta a discussão sobre critérios e uniformidade nas interpretações de “chance clara de gol”. A linha entre erro corrigido e interferência excessiva continua tênue.
Para clubes que se sentem lesados, como é o caso do Botafogo nesta rodada, a abertura das conversas comprova a mudança de entendimento, mas não altera o impacto esportivo. O resultado permanece, e o sentimento de injustiça encontra novo combustível nas próprias gravações.
O que você acha? A transparência dos áudios diminui ou aumenta a polêmica em torno da arbitragem? Para acompanhar mais notícias do Brasileirão, acesse nossa cobertura completa.

