Franclim Carvalho vê ‘dois pesos’ na arbitragem contra o Bahia

Botafogo — A derrota de virada para o Bahia na Arena Fonte Nova, válida pela 18ª rodada do Brasileirão, terminou com o técnico Franclim Carvalho apontando falhas graves na arbitragem e lamentando a expulsão do zagueiro Neto.

  • Em resumo: treinador acusa “dois pesos e duas medidas” na condução do jogo.
  • Expulsão de Neto e acréscimos geram questionamentos sobre critérios adotados.

Críticas diretas ao trio de arbitragem

Visivelmente incomodado, Franclim concentrou a entrevista coletiva nos lances que, segundo ele, mudaram o roteiro da partida. O comandante alvinegro relatou conversa tensa com o árbitro principal e citou o comportamento do quarto árbitro como exemplo de falta de preparo para controlar a pressão à beira do campo. Em tom firme, reclamou de interrupções seletivas e da diferença de critério em relação a partidas anteriores, especialmente quando o Botafogo teve domínio de posse, mas não viu as mesmas marcações.

Ao mencionar os oito segundos permitidos ao goleiro para reposição de bola, o técnico recordou um duelo anterior contra a Chapecoense e cobrou uniformidade. Segundo ele, a postura adotada em Salvador destoou do que fora feito naquele confronto, algo que, na sua visão, influencia diretamente o resultado. Para reforçar o ponto, citou a quantidade de acréscimos: sete minutos no primeiro tempo contra seis no segundo, mesmo havendo menos paralisações na etapa final — fator determinante para o momento do gol decisivo do Bahia. No entendimento do treinador, situações idênticas deveriam receber tratamentos idênticos, como prevê o protocolo da Confederação Brasileira de Futebol, detalhado no site da CBF.

“Quero fazer uma ressalva porque me parece importante. Não parece que qualquer membro da equipe de arbitragem possa ou tenha capacidade de dizer para se dirigir a minha comissão técnica e dizer ‘agora não falem mais comigo’ ou ‘agora não me peçam mais faltas’ e a seguir o gol de empate do adversário. O Lucas, quarto árbitro, teve um comportamento exemplar comigo, mas não com a minha comissão técnica. Se não tem capacidade para gerir os dois bancos, não pode falar essas declarações. Se não tem capacidade para engolir e encaixar o jogo não pode fazer isso”.

A declaração expõe incômodo com a postura considerada desequilibrada do quarto árbitro e reforça a tese de que o ambiente ficou hostil para o banco alvinegro desde o início, criando clima de instabilidade psicológico que transbordou para dentro de campo.

Expulsão de Neto acirra questionamentos

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O cartão vermelho mostrado a Neto, ainda na etapa inicial, foi outro ponto de atrito. O zagueiro reclamou de um lance envolvendo a reposição do goleiro adversário e, segundo o árbitro, extrapolou nos protestos. Embora reconheça erro de seu atleta, Franclim sustenta que a decisão foi drástica diante do contexto do jogo e prejudicou a busca pelo resultado.

“Sobre o lance do Neto, não me referi ao lance da expulsão, mas sim ao escanteio. Ainda não vi o lance, só sei do que o juiz me falou, mas por essa razão o Neto é culpado. Não pode fazer isso, é impensável. Por mais que esteja nervoso não pode perder o controle. É mais fácil eu falar, já que estou fora, mas o Neto sabe que errou. Eu ainda não vi, quero ver, mas se isso se confirmar, o meu comentário é esse.”

A fala evidencia a tentativa de equilibrar a crítica: ao mesmo tempo em que condena o comportamento do defensor, o técnico sublinha que a arbitragem deveria ter agido de forma pedagógica antes de optar pela expulsão, evitando que a partida terminasse marcada por polêmica.

Análise: coerência de critérios em debate

A entrevista de Franclim reacende a discussão sobre a uniformidade de decisões no Brasileirão. A cobrança pública por “critérios iguais em jogos iguais” sugere que clubes e comissões técnicas ainda veem espaço para maior padronização nos protocolos, seja nos acréscimos, seja na punição a protestos dos atletas. Quando esses detalhes interferem diretamente no placar, a confiança coletiva na arbitragem fica abalada, realimentando a pressão por transparência no uso do apito.

O que você acha? A arbitragem foi realmente incoerente ou o Botafogo precisa focar mais no próprio desempenho? Para acompanhar mais análises do Brasileirão, acesse nossa cobertura completa.


Marcelo Freire trabalha com conteúdo digital há mais de uma década e lidera a equipe editorial da Tribuna Futebol. Ao longo da carreira, participou da criação e desenvolvimento de projetos online voltados à informação e entretenimento. No dia a dia, acompanha de perto tudo o que é publicado, revisando conteúdos e orientando a equipe para manter um padrão claro, confiável e alinhado com o que o leitor realmente busca quando procura informações sobre futebol.