Amizade de torcidas une Fluminense e PSG na final da Champions

Fluminense — A improvável cumplicidade entre tricolores e parisienses ganhou novo capítulo quando o presidente Mattheus Montenegro acompanhou, no meio dos ultras do PSG, a vitória francesa na decisão da Champions transmitida pela Band.

  • Em resumo: Laço iniciado em tese de doutorado virou parceria de arquibancada com faixas mútuas de incentivo.
  • Presidente do Fluminense celebrou o troféu europeu ao lado da torcida organizada do PSG.

Da pesquisa acadêmica à arquibancada parisiense

O elo nasceu em 2012, quando o psicanalista da UERJ Gustavo Coelho aportou em Paris para estudar juventudes marginalizadas. Nas visitas ao Parc des Princes, ele se aproximou da K-Soce Team, grupo com forte identidade multicultural. Trocas de camisas e relatos sobre lutas sociais aprofundaram uma amizade que logo extrapolou o campo acadêmico, como registra o site oficial da UEFA ao citar o inusitado intercâmbio de torcedores.

Dois anos depois, membros do coletivo francês viajaram ao Rio de Janeiro e conheceram de perto o Maracanã. O contato permanente, via mensagens e visitas esporádicas, consolidou a ponte entre as duas torcidas, a ponto de o grupo europeu confeccionar, em 2018, uma faixa comemorando o nascimento do filho de Gustavo.

Mattheus Montenegro, presidente do Fluminense, assistindo a final da Champions League no meio dos Ultras do PSG. 📷Divulgação pic.twitter.com/s4ZykpVXKL — LIBERTA DEPRE (@liberta___depre) May 30, 2026

O registro viralizou nas redes sociais ao evidenciar que a relação ultrapassou os anônimos da arquibancada e alcançou o comando tricolor, reforçando a autenticidade do laço.

Faixas, presidentes e a festa do título

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Em 2023, na semana em que o Fluminense disputou a final da Libertadores, o PSG entrou em campo exibindo a faixa “vamos tricolores, chegou a hora”, mensagem que repercutiu amplamente no Brasil. O retorno ocorreu antes da final europeia seguinte: torcedores cariocas ergueram “vamos Paris, nada te impede” e viram o time francês golear a Inter de Milão.

Dessa vez, o adversário foi o Arsenal. Depois de empatar no tempo normal e na prorrogação, o PSG confirmou o troféu nos pênaltis, enquanto bandeiras do Fluminense tremulavam em vários setores do estádio. Ao apito final, Montenegro celebrou lado a lado com os ultras, consolidando a amizade que começou em um trabalho acadêmico e agora exibe alcance global.

O intercâmbio não se limita a dias de jogo. Integrantes de ambas as torcidas planejam novas visitas, sobretudo porque o PSG volta a figurar em decisões continentais e o Fluminense mantém ambições na América do Sul. A expectativa é que o fluxo de faixas, cânticos e vídeos continue abastecendo as redes sociais dos dois clubes e atraia curiosos para a história dessa união transatlântica.

No cenário brasileiro, exemplos de parcerias internacionais entre torcidas existem, mas raramente alcançam tamanha visibilidade. A presença constante de símbolos tricolores em Paris — e vice-versa — adiciona um componente cultural à competitiva Champions, ampliando a marca global do Fluminense e humanizando a imagem do PSG junto ao público sul-americano.

Ainda que o vínculo tenha raízes políticas, com grupos identificados à esquerda em ambos os países, o que prevalece hoje é a celebração de uma fraternidade construída no entorno do futebol. Especialistas veem o caso como demonstração de como identidades locais podem dialogar e se fortalecer mutuamente em um esporte cada vez mais globalizado.

Para além do marketing involuntário que gera, a amizade também coloca holofotes no papel das torcidas organizadas como vetores de diplomacia informal. Enquanto os clubes disputam títulos, seus seguidores constroem pontes sociais que resistem às oscilações em campo e inspiram iniciativas parecidas em outros continentes.

O que você acha? A ligação Fluminense-PSG é exemplo a ser seguido ou exceção romântica no futebol moderno? Para acompanhar outras histórias do futebol europeu, siga nossa cobertura completa.


Paulo dos Santos acompanha futebol desde criança, hábito que começou assistindo aos jogos com a família e se manteve ao longo dos anos. Com o tempo, passou a escrever sobre partidas, analisando escalações, desempenho dos times e os principais momentos de cada rodada. Na Tribuna Futebol, produz conteúdos sobre jogos nacionais e internacionais, sempre buscando explicar o que aconteceu em campo de forma simples e objetiva para o leitor.