Botafogo — O departamento de futebol alvinegro sofreu uma baixa sensível nesta quarta-feira (27): Alessandro Brito informou que deixa o cargo de diretor de gestão esportiva, pôs fim a um ciclo iniciado no primeiro dia da Era SAF e expôs um racha que já incomodava investidores e elenco.
- Em resumo: dirigente encerra trajetória iniciada em 2022, quando foi contratado por John Textor.
- Instabilidade entre Textor, Eagle e Ares acelerou a decisão de saída.
Baixa estratégica no coração da SAF
Brito chegou ao clube como Head Scout, ajudou a montar o sistema de inteligência de mercado e, três anos depois, havia virado peça-chave na gestão esportiva. Sua demissão ocorre num momento em que o comando alvinegro tenta consolidar o projeto SAF sob forte pressão por resultados e transparência.
Nos bastidores, o executivo respondia diretamente a John Textor, controlava análises de performance, avaliava valores de mercado e decidia prioridades nas janelas de transferências. A perda de um perfil técnico com trânsito interno deve obrigar o Botafogo a reestruturar processos logo antes da abertura da próxima janela.
“Levo no coração, para sempre, cada segundo que vivi no Botafogo. Foram os momentos mais desafiadores, mais intensos e, ao mesmo tempo, mais transformadores da minha vida profissional”.
O tom emotivo da nota deixa claro que a saída não foi motivada por propostas externas — Brito já havia recusado sondagens de três clubes nacionais no fim do ano passado. A decisão veio, sobretudo, pelo esgotamento do ambiente interno.
Disputa de poder nos bastidores acelera decisão
Desde o fim de 2025, Textor trava embates públicos com Eagle e Ares, fundos que dividem participação na SAF. A divergência sobre quem dita o rumo do investimento gerou paralisações em contratações e atrasos em pagamentos de metas, tornando o cotidiano do clube imprevisível.
“Cada passo foi construído com luta, convicção e muita entrega. A vida é feita de ciclos, e, neste momento, o meu se encerra por aqui. Saio com a cabeça erguida, com a consciência em paz e com o orgulho de ter feito parte de uma reconstrução que recolocou o Botafogo no lugar que ele merece”.
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Ao destacar “reconstrução”, Brito sinaliza que sua contribuição vai além das contratações bem-sucedidas que embasaram os títulos de 2024. O alvo implícito é a instabilidade criada pela disputa societária — fator que, segundo pessoas próximas, minou sua autonomia nos últimos meses.
Análise: racha societário coloca projeto SAF em xeque
Os fatos mostram que a saída de Brito é sintoma, não causa, da crise. Ao perder o principal articulador de mercado, o Botafogo corre o risco de repetir erros de 2023, quando a indefinição sobre orçamento retardou reforços e afetou o desempenho em campo. A lacuna administrativa também pode afastar novos investidores, já que o clube deixa de ter um profissional reconhecido pela capacidade de traduzir planos financeiros em resultados esportivos.
Para Textor, o desafio agora é duplo: pacificar a relação com Eagle e Ares e encontrar, em curto prazo, um substituto que goze da mesma confiança interna. Caso contrário, a SAF pode iniciar a próxima temporada sem diretriz clara para contratações, justamente após conquistar projeção continental.
O que você acha? A saída de Alessandro Brito vai afetar o desempenho do Botafogo no mercado de transferências? Para acompanhar mais análises sobre o clube na elite nacional, acesse nossa cobertura completa.

