Bahia mantém Rogério Ceni apesar de jejum e pressão interna

Bahia — Sob intensa cobrança da torcida, o clube decidiu preservar Rogério Ceni no cargo e usar a pausa para a Copa do Mundo como momento de ajustes estratégicos.

  • Em resumo: Diretoria descarta demissão mesmo com oito partidas sem vencer.
  • Pausa no calendário é vista como chance de corrigir rota sem expor o treinador a novo ultimato.

Pressão cresce após revés no Couto Pereira

A derrota por 3 a 2 para o Coritiba, marcada por falhas do goleiro João Paulo, elevou o termômetro da crise em Salvador. O revés igualou o pior jejum tricolor desde a chegada do Grupo City e expôs um elenco que, apesar do investimento robusto, não consegue transformar potencial em resultados consistentes.

Nos bastidores, porém, a cúpula avalia que trocar o comando agora seria precipitado. A análise foi discutida ainda na madrugada de segunda para terça-feira e ganhou força com o argumento de que o time terá tempo de sobra para treinos específicos durante a interrupção provocada pela Copa do Mundo. A diretoria também pondera que Ceni entregou títulos estaduais e regionais, e levou o clube a boas campanhas em Brasileirão e Libertadores, algo que sustenta sua permanência.

O jogo contra o Botafogo, marcado para a Fonte Nova no próximo sábado, será o último antes do recesso. Internamente, o duelo é visto mais como termômetro de desempenho do que como ultimato formal, diferentemente do que costumava ocorrer em outras gestões. A ideia, segundo pessoas ligadas ao departamento de futebol, é blindar o elenco de especulações e garantir que o foco se mantenha no trabalho em campo, conforme destaca a página oficial da CBF que regula a competição.

Histórico pesa a favor de Rogério Ceni

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Desde que desembarcou em Salvador, Rogério Ceni empilhou taças locais e ajudou a resgatar o protagonismo perdido pelo Bahia na última década. O treinador se notabilizou por implantar um estilo ofensivo, responsável direto por levar o time às fases decisivas de Libertadores e pela classificação tranquila no Brasileirão em temporadas recentes.

Apesar dos tropeços recentes — eliminações para Remo (Copa do Brasil) e O’Higgins (Libertadores) — o staff entende que há capital esportivo a ser aproveitado. A distância para a zona de rebaixamento ainda é considerada administrável, e a diretoria julga que os problemas defensivos podem ser corrigidos com ajustes de posicionamento e reforço de confiança no elenco.

Análise: caminho sem retorno ou aposta calculada?

Manter Rogério Ceni no cargo, mesmo em meio a forte contestação externa, revela uma mudança de mentalidade na condução esportiva do Bahia. Em vez de reagir ao calor da arquibancada, a diretoria se ancora em métricas de desempenho e no histórico de conquistas do treinador para justificar a escolha. Ao retardar uma troca, o clube ganha tempo para avaliar o mercado e preservar a narrativa de projeto a longo prazo.

O risco, naturalmente, é ampliado caso o time não responda em campo. Uma derrota para o Botafogo ou novas falhas individuais podem devolver a pressão ao patamar máximo. Se isso ocorrer, a pausa pode transformar‐se de aliada em palco de mudanças profundas, afetando planejamento, finanças e moral do vestiário.

O que você acha? A diretoria acerta ao segurar Ceni ou a mudança deveria ocorrer já? Para acompanhar mais análises do Brasileirão, acesse nossa cobertura completa.


Catarina Reis trabalha nos bastidores da Tribuna Futebol, acompanhando tendências, dados e os assuntos mais buscados pelos torcedores. Seu papel é identificar quais temas estão em alta e apoiar a equipe com informações que ajudem a produzir conteúdos relevantes e atualizados. Está sempre de olho no que está acontecendo dentro e fora de campo, ajudando a direcionar as pautas do site.