Religião teria barrado Fábio na Seleção, revela bastidor

Fluminense — A ausência de Fábio na Seleção Brasileira ganhou um novo capítulo depois que o jornalista Leandro Quesada revelou, em programa de TV, que a forte religiosidade do goleiro teria pesado contra sua convocação.

  • Em resumo: Quesada disse que o perfil “muito religioso” de Fábio não agradou a ex-treinadores da Seleção.
  • Goleiro respondeu após vitória na Libertadores e reforçou que joga “para Deus” e para seus clubes.

Bastidor de Quesada expõe possível veto

Em participação no programa Placar no Mundo, Leandro Quesada afirmou que conversas de bastidores indicam resistência à convocação de atletas considerados excessivamente fervorosos. Segundo o jornalista, esse fator teria sido decisivo para que o experiente arqueiro nunca se fixasse no elenco canarinho, apesar do desempenho sólido em temporadas consecutivas. Detalhes sobre bastidores da Seleção costumam repercutir rapidamente, como já ocorreu em informes publicados pela Confederação Sul-Americana de Futebol.

Quesada relatou que ouviu o assunto quando cobria a Seleção e que o tema ainda ecoa entre jogadores e integrantes da comissão técnica.

“Vocês querem um bastidor sobre o Fábio não ter ficado na seleção? Religião, esse é o motivo. É verdade. Porque às vezes o cara é muito fervoroso e a turma do pôquer, da balada e pá, da noitada o cara não se insere, gente”, iniciou Quesada. “Tem treinador que não gosta. Esse é um assunto muito polêmico. Mas eu tô dando um bastidor pra vocês porque eu ouvia isso quando eu tava na seleção e ainda continuo na seleção. Mas ali, conversando com a boleirada. E tem técnico que não gosta. Tem técnico que não gosta”.

A fala reforça a ideia de que aspectos comportamentais, e não apenas técnicos, influenciam escolhas em convocações de alto nível. Para Quesada, a incompatibilidade de rotina fora de campo seria determinante nas análises de alguns treinadores.

Fábio rebate e reafirma compromisso com a fé

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Depois da vitória do Fluminense por 2 a 1 sobre o Bolívar, no Maracanã, o goleiro foi questionado sobre o tema. Fábio lembrou que sua última chamada para a Amarelinha aconteceu em 2011, sob comando de Mano Menezes, mas jamais chegou a atuar. Mesmo assim, disse manter foco total nos compromissos do Tricolor e naquilo que considera seu propósito espiritual.

“Não faço meu melhor pela CBF. Faço meu melhor para Deus, para o Fluminense e para as equipes em que tive a oportunidade de jogar, como o Cruzeiro”,

O posicionamento confirma a importância que o veterano dá à fé e sugere que a falta de oportunidades na Seleção não altera sua motivação diária. Aos 45 anos, ele segue titular absoluto e sustenta nível de performance que poucos goleiros alcançam na mesma faixa etária.

Análise: fé x cultura de vestiário

A revelação de Quesada toca num ponto sensível: o choque entre religiosidade intensa e a tradicional cultura do vestiário, marcada por hábitos noturnos e confraternizações. Quando treinadores ou grupos enxergam esse contraste como ameaça à coesão, o atleta pode acabar preterido, mesmo apresentando estatísticas superiores a concorrentes.

Para Fábio, a discussão reforça a percepção de que suas qualidades técnicas nunca foram questionadas — o debate recai sobre comportamentos extra-campo. O caso expõe como critérios subjetivos, ligados ao perfil de cada comissão, ainda têm peso significativo em decisões de convocação.

O que você acha? A fé de um jogador deve influenciar sua presença na Seleção? Para acompanhar mais análises sobre a Amarelinha, acesse nossa cobertura completa.


Paulo dos Santos acompanha futebol desde criança, hábito que começou assistindo aos jogos com a família e se manteve ao longo dos anos. Com o tempo, passou a escrever sobre partidas, analisando escalações, desempenho dos times e os principais momentos de cada rodada. Na Tribuna Futebol, produz conteúdos sobre jogos nacionais e internacionais, sempre buscando explicar o que aconteceu em campo de forma simples e objetiva para o leitor.