SÃO PAULO — Sob forte pressão vinda das arquibancadas e das redes sociais, o técnico Dorival Júnior saiu em defesa do zagueiro Dória depois do empate contra o Millonarios pela Copa Sul-Americana, reiterando publicamente que não pretende sacá-lo do time titular neste momento.
- Em resumo: Dorival sustenta que confiança coletiva é decisiva para recuperar o defensor.
- Mesmo com falhas recentes, o treinador vê “processo de adaptação” e garante análise cuidadosa nos próximos treinos.
Confiança em meio à pressão
As críticas a Dória ganharam corpo quando o zagueiro errou o tempo de bola na origem do gol colombiano e, logo depois, cometeu o pênalti que o próprio Millonarios desperdiçou. Ainda assim, Dorival evitou culpabilizar o atleta individualmente, reforçando o caráter coletivo do futebol em entrevista pós-jogo. Na avaliação do treinador, o momento exige respaldo interno, não punição externa, como se lê no site oficial da Conmebol quando técnicos comentam sobre retomadas de confiança.
No Morumbis, a declaração ganhou tom de escudo protetor para um elenco em reconstrução, que já havia se complicado dias antes, contra o Fluminense, em lance semelhante de Dória pelo Brasileirão.
“Você não pode penalizar o atleta por um erro. Você não pode jogar toda a responsabilidade daquilo que tem acontecido. Houve sim (a falha), aconteceu, mas o jogador tem que naturalmente buscar uma recuperação. Você só vai recuperar dando confiança pra que ele possa atuar dentro das suas melhores condições. Sempre pensei assim em relação aos atletas, futebol é coletivo, você não ganha na individualidade”.
A fala evidencia a estratégia de Dorival: blindar o jogador para que ele recupere o desempenho sem perder espaço. A postura também serve de recado ao vestiário — possíveis trocas ocorrerão, mas segundo critérios internos, não pela pressão externa.
Plano de jogo não muda
Questionado sobre a escolha inicial por Dória, Dorival explicou que a decisão se baseou em relatórios técnicos e conversas com a comissão, sinalizando processo de observação contínua até encontrar a formação ideal. O treinador garante que o elenco terá rodagem, mas nega mudanças radicais imediatas.
“Opção foi em razão de tudo que nos vimos até então, ouvimos muita gente pra que pudéssemos tomar decisões iniciais, só que aos poucos agora a gente vai tentando moldar dentro daquilo que desejamos e necessitaremos”.
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Esse posicionamento abre margem para revisões na zaga nas próximas rodadas, mas sem retirá-la de um contexto maior: a equipe mira classificação antecipada na Sul-Americana e estabilidade no Campeonato Brasileiro. A sequência intensa — Millonarios, Botafogo no sábado e mais uma viagem continental na semana seguinte — pressiona cada acerto e potencializa cada erro.
Análise: escudo público para reconstrução interna
A defesa de Dorival vai além de proteger um atleta específico; ela aponta para uma tática de gestão de grupo. Ao repartir a responsabilidade, o treinador reafirma o compromisso coletivo enquanto ganha tempo para ajustes táticos. Nos bastidores, a manutenção de Dória como titular também serve como teste de resiliência do elenco: quem permanecer em campo após erros precisará responder à altura.
Esse tipo de discurso, comum em fases de transição, tem potencial para consolidar lideranças e reduzir a ansiedade do grupo. Porém, se as falhas persistirem, a narrativa de confiança pode se transformar em cobrança dobrada sobre o comando técnico.
O que você acha? Dorival acerta ao manter Dória ou já passou da hora de trocar o zagueiro? Para acompanhar todos os bastidores da Sul-Americana, acesse nossa cobertura completa.

